Arquivo da tag: cogumelos

Sexta Selvagem: Morela-Amarela

por Piter Kehoma Boll

É hora do próximo fungo, e dessa vez é um delicioso, ou pelo menos imagino que seja, já que eu nunca o comi. Cientificamente conhecido como Morchella esculenta, eu não sei se ele possui nomes populares em português que não sejam adaptações de outras línguas, então decidi usar o nome morela-amarela, tradução e adaptação do inglês yellow morel. O nome também pode aparecer como morquela ou morel.

576px-old_holiday_shot_of_morchella_esculenta_28gb3d_morel_mushroom2c_d3d_speise-morchel2c_nl3d_gewone_morielje29_-_panoramio

Um corpo de frutificação da morela-amarela na França. Foto de Henk Monster.*

Comum na América do Norte e na Europa, bem como em partes da Ásia, especialmente em áreas de floresta, a morela-amarela é um fungo comestível popular do filo Ascomycota, então não é parente próxima dos cogumelos comuns, mas é um parente das trufas, por exemplo.

Morelas geralmente são fáceis de reconhecer devido à sua aparência peculiar. Aparecendo durante a primavera, seu corpo de frutificação é mais ou menos oval na forma, sendo coberto de depressões e cristas irregulares, e é oco.

450px-morchella-esculenta-001

Uma morela aberta mostrando sua “ocidade”. Foto do usuário ooAmanitaoo da Wikimedia.*

Apesar de ser um dos cogumelos mais caros, as morelas podem causar alguns efeitos indesejáveis, como problemas gastrointestinais, se comidas cruas ou muito velhas. Assim, recomenda-se comer cogumelos jovens e ao menos escaldá-los antes do consumo. Como eles são ocos, é comum comê-los recheados com vegetais ou carne.

Estudos farmacológicos e bioquímicos revelaram que a morela-amarela possui muitas propriedades saudáveis, tal como a presença de antioxidantes, e substâncias que estimulam o sistema imunológico, bem como propriedades anti-inflamatórias e antitumor. É certamente um alimento que vale a pena incluir na dieta, pena que ele tende a ser tão caro…

– – –

Curta nossa página no Facebook!

– – –

Referências:

Duncan, C. J. G.; Pugh, N.; Pasco, D. S.; Ross, S. A. (2002) Isolation of galactomannan that enhances macrophage activation from the edible fungs Morchella esculentaJournal of Agricultural and Food Chemistry, 50(20): 5683–5695. DOI: 10.1021/jf020267c

Mau, J.-L.; Chang, C.-N.; Huang, S.-J.; Chen, C.-C. (2004) Antioxidant properties of methanolic extracts from Grifola frondosa, Morchella esculenta and Termitomyces albuminosus mycelia. Food Chemistry, 87(1): 111-118.
https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2003.10.026

Nitha, B.; Meera, C. R.; Janardhanan, K. K. (2007) Anti-inflammatory and antitumour activities of cultured mycelium of morel mushroom, Morchella esculentaCurrent Science, 92(2): 235–239.

Wikipedia. Morchella esculenta. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Morchella_esculenta >. Acesso em 31 de outubro de 2017.

– – –

*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Fungos, Sexta Selvagem

Novas Espécies: 1 a 10 de novembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de novembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

A lesma-marinha Dendronotus robilliardi é uma nova espécie descrita nos últimos 10 dias.

A lesma-marinha Dendronotus robilliardi é uma nova espécie descrita nos últimos 10 dias.

Arqueias

Bactérias

SARs 

Plantas

Fungos

Esponjas

Cnidários

Entoproctos

Moluscos

Anelídeos

Loricíferos

Dragões-da-lama

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Hexápodes

Equinodermos

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

Deixe um comentário

Arquivado em Sistemática, Taxonomia

Sexta Selvagem: Crosta-rosada

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver andando por uma floresta na Europa pode encontrar a casca de algumas árvores coberta por uma fina crosta rosada ou alaranjada. Comumente chamada de crosta-rosada, seu nome científico é Peniophora incarnata.

peniophora_incarnata

Crosta-rosada crescendo em um ramo morto. Foto de Jerzy Opiała.*

Como acontece com a maior parte dos fungos, a crosta-rosada é sapróbica, isto é, se alimenta de material morto, neste caso de madeira morta, se forma que é mais comumente encontrada em ramos mortos. Ela afeta uma variedade de espécies de plantas, especialmente angiospermas, mas pode eventualmente crescer em pinheiros.

Às vezes considerada uma peste por sua habilidade de apodrecer madeira, a crosta-rosada também tem alguns benefícios interessantes. Ela demonstrou possuir atividade microbiana, sendo uma fonte potencial para a produção de antibióticos, e também é capaz de degradar alguns produtos carcinogênicos usados para tratar madeira, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

– – –

Referências:

EOL – Encyclopedia of Life. Peniophora Incarnata – Rosy Crust. Disponível em: <http://www.eol.org/pages/1009530/overview&gt;. Acesso em 22 de setembro de 2016.

Lee, H., Yun, S., Jang, S., Kim, G., & Kim, J. (2015). Bioremediation of Polycyclic Aromatic Hydrocarbons in Creosote-Contaminated Soil by Peniophora incarnata KUC8836 Bioremediation Journal, 19 (1), 1-8 DOI: 10.1080/10889868.2014.939136

Suay, I., Arenal, F,, Asensio, F. J., Basilio, A., Cabello, M. A., Díez, M. T., García, J. B., González del Val, A., Gorrochategui, J., Hernández, P., Peláez, F., & Vicente, M. F. (2000). Screening of basidiomycetes for antimicrobial activities Antonie van Leeuwenhoek, 78 (2), 129-140 DOI: 10.1023/A:1026552024021

– – –

*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

Deixe um comentário

Arquivado em Fungos, Sexta Selvagem