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Sexta Selvagem: Paraquedinha-da-Amazônia

por Piter Kehoma Boll

Os fungos mais populares certamente são os cogumelos de chapéu, muitos dos quais são grandes, carnosos e deliciosos, ou às vezes mortalmente venenosos. Mas também há cogumelos de chapéu que não são tão conspícuos e às vezes nem são percebidos pela maioria das pessoas por causa de seu aspecto pequeno e frágil.

Se você estiver andando pelas florestas da América do Sul, especialmente a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica, e prestar atenção suficiente à serapilheira, pode eventualmente ver um pequeno cogumelo fingindo ser uma folha morta com seu chapéu roxo-amarronzado cheio de manchas amareladas irregulares. Seu nome é Marasmius amazonicus e, apesar de não possuir um nome comum, acho que paraquedinha-da-Amazônia seria uma escolha razoável.

Um paraquedinha “petipoá” crescendo na Floresta Amazônica em Mato Grosso, Brasil. Foto de Rich Hoyer.*

O paraquedinha-da-Amazônia pertence ao gênero Marasmius, cujas espécies são frequentemente chamadas de parachute (paraquedas) em inglês devido ao píleo (chapéu) apresentando dobras causadas pelas lamelas abaixo dele. Se você o olha por baixo, pode ver que as lamelas são finas e separadas, deixando o píleo visível entre elas.

Uma bela foto do mesmo espécime acima. Foto de RichHoyer.*

A palavra Marasmius vem do grego μαρασμός (marasmos), significando definhamento. O nome é adequado para estes cogumelos por causa de seu comportamento peculiar. Enquanto os corpos de frutificação da maioria dos cogumelos aparecem num momento específico e duram por um tempo determinado antes de se deteriorarem, os corpos de frutificação de Marasmius podem secar se os níveis de umidade caem demais e depois revivem quando a umidade volta. Sua aparência delicada, com os chapéus finos e pedúnculos ainda mais finos, às vezes parecendo mais um fio endurecido de cabelo, tornam esse processo mais fácil.

Sendo uma espécie decompositora como a maioria das espécies de Marasmius, o paraquedinha-da-Amazônia é encontrado crescendo em matéria vegetal morta, incluindo ramos e folhas em decomposição. Apesar de seus corpos de frutificação poderem secar e reviver durante condições secas, eles só conseguem crescer em ambientes que possuem níveis altos de umidade na maior parte do tempo. Assim, apesar de poderem crescer em folhas mortas, só conseguem fazer isso depois que as folhas se tornam mais fragmentadas e compactadas contra o chão da floresta de forma a reterem mais umidade.

Outro espécime do Mato Grosso. Foto de Sousanne Sourell.**

A ecologia do paraquedinha-da-Amazônia é basicamente desconhecida até o momento, appesar de muito poder ser inferido por comparação com outras espécies de Marasmius. Ele é um cogumelo venenoso? Provavelmente não, mas provavelmente também não é comestível.

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Referências:

Oliveira JJS, Puccinelli C, Capelari M, Baseia IG (2008) Neotypification of Marasmius amazonicus. Mycotaxon 106:227–232.

Wikipedia. Marasmius. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Marasmius>. Access on 21 May 2020.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 4.0 Internacional.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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Sexta Selvagem: Morela-Amarela

por Piter Kehoma Boll

É hora do próximo fungo, e dessa vez é um delicioso, ou pelo menos imagino que seja, já que eu nunca o comi. Cientificamente conhecido como Morchella esculenta, eu não sei se ele possui nomes populares em português que não sejam adaptações de outras línguas, então decidi usar o nome morela-amarela, tradução e adaptação do inglês yellow morel. O nome também pode aparecer como morquela ou morel.

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Um corpo de frutificação da morela-amarela na França. Foto de Henk Monster.*

Comum na América do Norte e na Europa, bem como em partes da Ásia, especialmente em áreas de floresta, a morela-amarela é um fungo comestível popular do filo Ascomycota, então não é parente próxima dos cogumelos comuns, mas é um parente das trufas, por exemplo.

Morelas geralmente são fáceis de reconhecer devido à sua aparência peculiar. Aparecendo durante a primavera, seu corpo de frutificação é mais ou menos oval na forma, sendo coberto de depressões e cristas irregulares, e é oco.

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Uma morela aberta mostrando sua “ocidade”. Foto do usuário ooAmanitaoo da Wikimedia.*

Apesar de ser um dos cogumelos mais caros, as morelas podem causar alguns efeitos indesejáveis, como problemas gastrointestinais, se comidas cruas ou muito velhas. Assim, recomenda-se comer cogumelos jovens e ao menos escaldá-los antes do consumo. Como eles são ocos, é comum comê-los recheados com vegetais ou carne.

Estudos farmacológicos e bioquímicos revelaram que a morela-amarela possui muitas propriedades saudáveis, tal como a presença de antioxidantes, e substâncias que estimulam o sistema imunológico, bem como propriedades anti-inflamatórias e antitumor. É certamente um alimento que vale a pena incluir na dieta, pena que ele tende a ser tão caro…

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Referências:

Duncan, C. J. G.; Pugh, N.; Pasco, D. S.; Ross, S. A. (2002) Isolation of galactomannan that enhances macrophage activation from the edible fungs Morchella esculentaJournal of Agricultural and Food Chemistry, 50(20): 5683–5695. DOI: 10.1021/jf020267c

Mau, J.-L.; Chang, C.-N.; Huang, S.-J.; Chen, C.-C. (2004) Antioxidant properties of methanolic extracts from Grifola frondosa, Morchella esculenta and Termitomyces albuminosus mycelia. Food Chemistry, 87(1): 111-118.
https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2003.10.026

Nitha, B.; Meera, C. R.; Janardhanan, K. K. (2007) Anti-inflammatory and antitumour activities of cultured mycelium of morel mushroom, Morchella esculentaCurrent Science, 92(2): 235–239.

Wikipedia. Morchella esculenta. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Morchella_esculenta >. Acesso em 31 de outubro de 2017.

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Novas Espécies: 1 a 10 de novembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de novembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

A lesma-marinha Dendronotus robilliardi é uma nova espécie descrita nos últimos 10 dias.

A lesma-marinha Dendronotus robilliardi é uma nova espécie descrita nos últimos 10 dias.

Arqueias

Bactérias

SARs 

Plantas

Fungos

Esponjas

Cnidários

Entoproctos

Moluscos

Anelídeos

Loricíferos

Dragões-da-lama

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Hexápodes

Equinodermos

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

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Sexta Selvagem: Crosta-rosada

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver andando por uma floresta na Europa pode encontrar a casca de algumas árvores coberta por uma fina crosta rosada ou alaranjada. Comumente chamada de crosta-rosada, seu nome científico é Peniophora incarnata.

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Crosta-rosada crescendo em um ramo morto. Foto de Jerzy Opiała.*

Como acontece com a maior parte dos fungos, a crosta-rosada é sapróbica, isto é, se alimenta de material morto, neste caso de madeira morta, se forma que é mais comumente encontrada em ramos mortos. Ela afeta uma variedade de espécies de plantas, especialmente angiospermas, mas pode eventualmente crescer em pinheiros.

Às vezes considerada uma peste por sua habilidade de apodrecer madeira, a crosta-rosada também tem alguns benefícios interessantes. Ela demonstrou possuir atividade microbiana, sendo uma fonte potencial para a produção de antibióticos, e também é capaz de degradar alguns produtos carcinogênicos usados para tratar madeira, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of Life. Peniophora Incarnata – Rosy Crust. Disponível em: <http://www.eol.org/pages/1009530/overview&gt;. Acesso em 22 de setembro de 2016.

Lee, H., Yun, S., Jang, S., Kim, G., & Kim, J. (2015). Bioremediation of Polycyclic Aromatic Hydrocarbons in Creosote-Contaminated Soil by Peniophora incarnata KUC8836 Bioremediation Journal, 19 (1), 1-8 DOI: 10.1080/10889868.2014.939136

Suay, I., Arenal, F,, Asensio, F. J., Basilio, A., Cabello, M. A., Díez, M. T., García, J. B., González del Val, A., Gorrochategui, J., Hernández, P., Peláez, F., & Vicente, M. F. (2000). Screening of basidiomycetes for antimicrobial activities Antonie van Leeuwenhoek, 78 (2), 129-140 DOI: 10.1023/A:1026552024021

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