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Espécies em andamento: borboletas de classe alta e baixa não se bicam

por Piter Kehoma Boll

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Especiação, isto é, a separação de uma espécie em duas ou mais, geralmente acontece quando duas populações se tornam espacialmente isoladas uma da outra. Tal separação pode acontecer de muitas maneiras diferentes, e às vezes uma simples preferência ecológica pode causá-la.

Archaeoprepona demophon na Colômbia. Foto do usuário dengland81 do iNaturalist.*

Isso é o que acontece com uma borboleta neotropical, o sapateiro-rei-de-faixa, Archaeoprepona demophon. Encontrada em florestas tropicais do México até o norte da América do Sul, esta borboleta se alimenta de frutas podres.

Muitas outras borboletas também se alimentam de frutas podres. Dentro da floresta, elas geralmente ocorrem no sub-bosque, perto do solo, ou somente no dossel, entre as copas das árvores. Archaeoprepona demophon é uma exceção, vivendo tanto no sub-bosque quanto no dossel.

Um estudo recente, contudo, descobriu que as populações vivendo no sub-bosque e no dossel são geneticamente distintas, indicando que elas não cruzam entre si. A distância vertical entre as duas populações é de cerca de 20 m, mas o grau de divergência é tão alto quanto o encontrando entre populações vivendo em diferentes localidades separadas por cerca de 1500 km.

Parece que uma vez que você ascenda ao topo da comunidade florestal, você não está mais a fim de manter contato com as classes inferiores. Se as condições ambientais que mantêm essa separação continuarem no futuro, populações do sub-bosque e o dossel podem se tornar espécies diferentes.

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Referência:

Nice CC, Fordyce JA, Bell KL, Forister ML, Gompert Z, & DeVries PJ (2019). Vertical differentiation in tropical forest butterflies: a novel mechanism generating insect diversity? Biology Letters 15: 20180723. 
https://doi.org/10.1098/rsbl.2018.0723

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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Novas Espécies: 1 a 10 de dezembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de dezembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

brunfelsia_cabiesesiana

Brunfelsia cabiesiana é uma nova angiosperma do Peru descrita nos últimos 10 dias.

SARs

Plantas

Fungos

Moluscos

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Hexápodes

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Répteis

Mamíferos

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Novas Espécies: 11 a 20 de novembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 11 a 20 de novembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

liolaemus_leftrarui

Liolaemus leftrarui é uma nova espécie de lagarto descrita nos últimos 10 dias.

Hacróbios

SARs

Plantas

Excavados

Fungos

Cnidários

Rotíferos

Anelídeos

Aracnídeos

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

Répteis

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Novas Espécies: 1 a 10 de novembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de novembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

A lesma-marinha Dendronotus robilliardi é uma nova espécie descrita nos últimos 10 dias.

A lesma-marinha Dendronotus robilliardi é uma nova espécie descrita nos últimos 10 dias.

Arqueias

Bactérias

SARs 

Plantas

Fungos

Esponjas

Cnidários

Entoproctos

Moluscos

Anelídeos

Loricíferos

Dragões-da-lama

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Hexápodes

Equinodermos

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

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Novas Espécies: 21 a 31 de outubro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 21 a 31 de outubro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

gelanoglanis_varii

A imagem mostra a cabeça diafanizada e corada de Gelanoglanis varii, um peixe-gato da bacia do Rio Tocantins recentemente descrito.

Arqueias

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Moluscos

Anelídeos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

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Novas espécies: última semana de abril

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 15 de abril a 21 de abril. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa and International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology.

Trigonopterus chewabacca, um novo wookie, digo, besouro, recentemente descrito.

Trigonopterus chewabaccan Van Dam & Riedel, 2016, um novo wookie, digo, besouro, recentemente descrito.

Bacterias:

Plantas:

Amoebozoários:

Fungos:

Platelmintos:

Moluscos:

Aracnídeos:

Crustáceos:

Hexápodes:

Peixes de nadadeiras rajadas:

Répteis:

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Sexta Selvagem: Pingos-de-prata

por Piter Kehoma Boll

Decidi que é hora de introduzir minha espécie favorita de borboleta aqui, Agraulis vanillae, comumente conhecida como pingos-de-prata.

A pingos-de-prata é uma borboleta da tribo Heliconini e é encontrada nas Américas, do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina. Ela é facilmente reconhecível por uma série de grandes manchas prateadas na parte de baixo das asas, de onde vem o seu nome popular. O lado superior é laranja com marcas pretas.

Um adulto de Agraulis vanillae em um capítulo de Zinnia elegans. Foto de Piter K. Boll.*

Um adulto de Agraulis vanillae em um capítulo de Zinnia elegans. Foto de Piter K. Boll.*

Esse padrão laranja e preto serve como alerta para potenciais predadores, especialmente aves, sobre a impalatabilidade da borboleta. Quando perturbada, elas produzem uma secreção complexa a partir de glândulas abdominais que possui um odor forte.

Como todas as Heliconini, a pingos-de-prata se alimenta de espécies de maracujá no estágio de lagarta (larval). Os adultos se alimentem do néctar de diversas flores e demonstrou-se que aprendem a associar uma cor específica a uma melhor fonte de alimento.

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Referências:

Ross, G. N.; Fales, H. M.; Lloyd, H. A.; Jones, T.; Sokolski, E. A.; Marshall-Batty, K.; Blum, M. S. 2001. Novel chemistry of abdominal defensive glands of nymphalid butterfly Agraulis vanillaeJournal of Chemical Ecology27 (6): 1219-1228. DOI: 10.1023/A:1010372114144

Wikipedia. Gulf fritillary. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Gulf_fritillary >. Accessp em 14 de abril de 2016.

Weiss, M. R. 1995. Associative colour learning in a nymphalid butterfly. Ecological Entomology20: 298-301.

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A história da Sistemática: Animais no Systema Naturae, 1758 (parte 3)

por Piter Kehoma Boll

Esta é a terceira parte desta série de postagens. Veja aqui parte 1parte 2 e parte 4.

Nesta postagem apresentarei uma só classe: Insecta. Naquele tempo, porém, Insecta incluía não somente o que chamamos de insetos hoje, mas todos os artrópodes.

5. Insecta (Insetos)

Coração com um ventrículo e uma aurícula; pus frio.
Espiráculos: poros nas laterais do corpo.
Mandíbulas laterais.
Pênis entrando.
Sentidos: língua, olhos, antenas na cabeça sem cérebro (sem orelhas e narinas).
Cobertura: pele óssea armada para sustento.
Suporte: pés, em alguns asas.

Insetos foram classificados de acordo com o número e o aspecto das asas e incluía 7 ordens: Coleoptera, Hemiptera, Lepidoptera, Neuroptera, Hymenoptera, Diptera e Aptera.

5.1 Coleoptera (asas de estojo), com quatro asas, as anteriores completamente enrijecidas: Scarabaeus (escaravelhos), Dermestes (besouros-de-couro), Hister (besouros-palhaço), Attelabus (enrola-folhas), Curculio (gorgulhos), Silpha (besouros-carniceiros), Coccinella (joaninhas), Cassida (besouros-tartaruga), Chrysomela (besouros-das-folhas), Meloe (burrinhos), Tenebrio (besouros-da-farinha), Mordella (vira-flores), Staphylinus (besouros-de-casaco), Cerambyx (besouros-longicórnios), Leptura (besouros-longicórnios-das-flores), Cantharis (besouros-soldados, pirilampos), Elater (besouros-estaladores), Cicindela (besouros-tigre), Buprestis (besouros-joia), Dytiscus (carochas-d’água), Carabus (besouros-da-terra), Necydalis (besouros-vespa), Forficula (lacrainhas), Blatta (baratas), Gryllus (grilos, gafanhotos, louva-a-deuses, bichos-pau).

Espécies agrupadas por Linnaeus em Coleoptera (da esquerda para a direita, de cima para baixo): escaravelho-sagrado (

Espécies agrupadas por Linnaeus em Coleoptera (da esquerda para a direita, de cima para baixo): escaravelho-sagrado (Scarabaeus sacer), besouro-da-despensa (Dermestes lardarius), besouro-palhaço-de-quatro-manchas (Hister quadrimaculatus), enrola-folha-de-avelã (Attelabus coryli, atualmente Apoderus coryli), gorgulho-da-noz (Curculio nucum), besouro-carniceiro-escuro (Silpha obscura), joaninha-de-sete-pontos (Coccinella septempunctata), besouro-tartaruga-verde (Cassida viridis), besouro-do-choupo-vermelho (Chrysomela populi), burrinho-preto (Meloe proscarabaeus), besouro-da-farinha (Tenebrio molitor), vira-flor-pontudo (Mordella aculeata), besouro-de-casaco-de-asa-vermelha (Staphylinus eruthropterus), besouro-capricórnio-grande (Cerambyx cerdo), besouro-longicórnio-das-flores-listrado (Leptura quadrifasciata), besouro-soldado-fosco (Cantharis fusca), besouro-estalador-vermelho (Elater ferrugineus), besouro-tigre-verde (Cicindela campestris), besouro-joia-de-oito-pontos (Buprestis octoguttata), carocha-d’água-larga (Dytiscus latissimus), besouro-da-terra-duro (Carabus coriaceus), besouro-vespa-grande (Necydalis major), lacrainha-europeia (Forficula auricularia), barata-comum (Blatta orientalis) e grilo-comum (Gryllus campestris). Créditos ao usuário do Wikipedia Sarefo (escaravelho), Guttormm Flatab (besouro-da-despensa), Didier Descouens (besouro-palhaço, vira-flor), entomar [www.entomart.be] (enrola-folha, gorgulho, besouro-tartaruga), Dominik Stodulski (joaninha), usuário do Wikipedia Quarl (besouro-do-choupo, besouro-longicórnio-das-flores), Václav Hanzlík (besouro-de-casaco), Franz Xaver (besouro capricórnio), James K. Lindsey (besouro-soldado), Stanislav Krejčik (besouro-estalador), Olaf Leillinger (besouro-tigre), Biopix [www.biopix.com] (carocha-d’água), Gyorgy Csoka (besouro-vespa), Miroslav Deml (lacrainha), K Schneider (barata), Gilles San Martin (grilo).

5.2 Hemiptera (meias-asas): com quatro asas, as anteriores parcialmente enrijecidas: Cicada (cigarras), Notonecta (notonectas), Nepa (escorpiões-d’água), Cimex (percevejos), Aphis (pulgões), Chermes (pulgões-peludos), Coccus (cochonilhas), Thrips (tripes).

A ordem Hemiptera de Linnaeus incluía as seguintes espécies (da esquerda para a direita, de cima para baixo: cigarra-do-freixo (

A ordem Hemiptera de Linnaeus incluía as seguintes espécies (da esquerda para a direita, de cima para baixo: cigarra-do-freixo (Cicada orni), notonecta-comum (Notonecta glauca), escorpião-d’água-comum (Nepa cinerea), percevejo-da-cama-comum (Cimex lectularius), besouro-do-sabugueiro (Aphis sambuci), aldegídeo-da-galha-abacaxi (Chermes abietis, atualmente Adelges abietis), cochinilha-mole-marrom (Coccus hesperidum), tripes-do-dente-de-leão (Thrips physapus). Créditos ao usuário do Wikimedia Hectonichus (cigarra), Holger Gröschl (notonecta), usuário do Wikimedia XenonX3 (escorpião-d’água), James K. Lindsey (pulhão), Magne Flåten (aldegídeo), Whitney Cranshaw (cochonilha), thrips.w.interjowo.pl (tripes).

5.3 Lepidoptera (asas escamosas), com quatro asas escamosas: Papilio (borboletas), Phalaena (mariposas), Sphinx (mariposas-esfinge).

Entre as espécies postas por Linnaeus em Lepidoptera estavam (da esquerda para a direita): rabo-de-andorinha-Páris (

Entre as espécies postas por Linnaeus em Lepidoptera estavam (da esquerda para a direita): rabo-de-andorinha-Páris (Papilio paris), mariposa-gótica (Phalaena typica, agora Naenia typica), e mariposa-esfinge-do-ligustro (Sphinx ligustri). Créditos a usuário do Wikimedia Peellden (rabo-de-andorinha), Danny Chapman (mariposa-gótica) e usuário do Wikimedia Jdiemer (mariposa-esfinge).

5.4 Neuroptera (asas com nervuras), com quatro asas membranosas e um abdome não armado: Libellula (libélulas), Ephemera (efêmeras), Phrygaena (moscas-d’água), Hemerobius (asas-de-laço, formigas-leão, amieiras), Panorpa (moscas-escorpião), Raphidia (agulhinhas).

A ordem Neuroptera de Linnaeus incluída (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a libélula-caçadora-de-quatro-manchas (

A ordem Neuroptera de Linnaeus incluída (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a libélula-caçadora-de-quatro-manchas (Libellula quadrimaculata), a efêmera-comum (Ephemera vulgata), a mosca-d’água-maior (Phrygaena grandis), a asa-de-laço-marrom-comum (Hemerobius humulinus), a mosca-escorpião-comum (Panorpa communis), e a agulhinha-comum (Raphidia ophiopsis). Créditos ao usuário do Wikimedia Bj.schoenmakers (efêmera), Donald Hobern (mosca-d’água), usuário do Wikimedia AfroBrazilian (asa-de-laço), André Karwath (mosca-escorpião).

5.5 Hymenoptera (asas membranosas), com quatro asas membranosas e uma cauda armada: Cynips (vespas-da-galha), Tenthredo (moscas-serra), Ichneumon (vespas-parasitoides), Sphex (vespas-oleiras, vespas-cavadoras), Vespa (vespas e marimbondos), Apis (abelhas), Formica (formigas), Mutilla (formigas-de-veludo).

1758Linnaeus_hymenoptera

A ordem Hymenoptera de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a vespa-da-galha-comum (Cynips quercusfolii), a mosca-serra-da-escrofulária (Tenthredo scrophulariae), vespa-parasitoide-comum (Ichneumon sarcitorius), vespa-oleira-sul-americana (Sphex argillacea, agora Zeta argillaceum), vespa-europeia (Vespa crabro), abelha-europeia (Apis mellifera), formiga-vermelha (Formicca rufa), e formiga-de-veludo-europeia (Mutilla europaea). Créditos ao usuário do Wikimedia Wofl (vespa-da-galha), James K. Lindsey (vespa-serra, vespa-parasitoide), Sean McCann (vespa-oleira), usuário do Wikimedia Flugwapsch62 (vespa), Böhringer Friedrich (abelha), Adam Opioła (formiga), Valter Jacinto (formiga-de-veludo).

5.6 Diptera (duas asas), com duas asas: Oestrus (moscas-do-berne), Tipula (mosquitões e mosquitinhos), Musca (moscas-domésticas, varejeiras, moscas-das-flores), Tabanus (mutucas), Culex (mosquitos), Empis (moscas-dardo, moscas-dançarinas), Conops (moscas-cabeçudas), Asilus (moscas-raptoras), Bombylius (moscas-abelha), Hippobosca (moscas-piolho).

Em Diptera, Linnaeus incluiu

Em Diptera, Linnaeus incluiu a mosca-do-berne-da-ovelha (Oestrus ovis), o mosquitão-de-jardim (Tipula hortorum), a mosca-doméstica (Musca domestica), a mutuca-do-boi (Tabanus bovinus), o mosquito-comum (Culex pipiens), a mosca-dançarina-do-norte (Empis borealis), a mosca-cabeçuda-amarela (Conops flavipes), a mosca-raptora-vespa (Asilus cabroniformis), a mosca-abelha-grande (Bombylius major) e a mosca-da-floresta (Hippobosca equina). Créditos ao usuário picotverd do diptera.info (mosca-do-berne), James K. Lindsey (mosquitão, mutuca, mosca-dançarina), Kamran Iftikhar (mosca-doméstica), David Barillet-Portal (mosquito), Martin Harvey (mosca-raptora), Richard Bartz (mosca-abelha) e usuário do Wikimedia Janswart (mosca-da-floresta).

5.7 Aptera (sem asas), sem asas: Lepisma (traças-dos-livros), Podura (rabos-de-mola), Termes (cupins e piolhos-da-cortiça), Pediculus (piolhos), Pulex (pulgas), Acarus (ácaros e carrapatos), Phalangium (opiliões, amblipígios e escorpiões-vinagre), Aranea (aranhas), Scorpio (escorpiões), Cancer (caranguejos, lagostas, camarões), Monoculus (camarões-girino, pulgas-d’água, caranguejos-ferradura), Oniscus (tatuzinhos-de-jardim), Scolopendra (centopeias), Julus (piolhos-de-cobra).

A bagunçada ordem Aptera incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a traça-dos-livros (

A bagunçada ordem Aptera incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a traça-dos-livros (Lepisma saccharina), o rabo-de-mola-aquático (Podura aquatica), o trogiídeo-pálido-maior (Termes pulsatorium, agora Trogium pulsatorium), o piolho-da-cabeça (Pediculus humanus), a pulga-humana (Pulex irritans), o ácaro-da-farinha (Acarus siro), o opilião-comum (Phalangium opilio), a aranha-de-jardim-angular (Aranea angulata, agora Araneus angulatus), o escorpião-de-garras-grandes (Scorpio maurus), a caranguejola (Cancer pagurus), o camarão-girino-comum (Monoculus apus, agora Lepidurus apus), o tatuzinho-de-jardim-comum (Oniscus asellus), a centopeia-gigante-da-Amazônia (Scolopendra gigantea), e o piolho-de-cobra-comum (Julus terrestris). Créditos para Christian Fischer (traça, rabo-de-mola), Josef Reischig (piolho), Michael Wunderli (pulga), Joel Mills (ácaro), Didier Descouens (opilião), Thomas Kraft (aranha), Guy Haimovitch (escorpião), Hans Hillewaert (caranguejola), Christian Fischer (camarão-girino), Fritz Geller-Grimm (tatuzinho-de-jardim), Katka Nemčoková (centopeia), Carmen Juaréz/Pedro do Rego (piolho-de-cobra).

Como pode-se perceber, Linnaeus era bem competente em classificar himenópteros, dípteros e lepidópteros. Suas ordens Coleoptera e Hemiptera também não eram tão ruins. Neuroptera era um pouco bagunçada, mas nada se compara a Aptera, onde ele pôs tudo que não tinha asas, de traças a aranhas, caranguejos e piolhos-de-cobra! É incrível como ele era acurado com certos grupos e um desastre completo com outros.

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Referências:

Linnaeus, C. 1758. Systema Naturae per regna tria naturae…

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Sexta Selvagem: Borboleta-88

por Piter Kehoma Boll

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Nesta sexta vou falar de uma das espécies mais carismáticas de borboletas, ao menos aqui no sul do Brasil. Diatheria clymena, conhecida como borboleta-88, é uma pequena espécie que apresenta um padrão de manchas e listras pretas e brancas na parte inferior das asas posteriores que se parece com o número 88. Ela se distribui da Guatemala ao sul do Brasil e há diversas subespécies ao longo da distribuição.

Macho (?) de Diaethria clymena meridionalis na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, sul do Brasil. Foto de Piter Kehoma Boll.*
Macho (?) de Diaethria clymena meridionalis na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, sul do Brasil. Foto de Piter Kehoma Boll.*

Adultos dessa espécie são comumente vistos perto de árvores frutíferas, sendo atraídos por frutas podres. Os machos também podem ser vistos em poças, arroios ou mesmo areia molhada com urina, procurando por minerais dissolvidos para consumir.

As larvas desta espécie geralmente se alimentam de plantas do gênero Trema (família Cannabaceae), algo incomum, já que a maioria das borboletas aparentadas se alimentam de plantas da família Sapindaceae. Os últimos estágios larvais, com uma cor verde, tal como a crisálida, possuem dois longos “chifres” pontudos na parte anterior e quando incomodados começam a mover a cabeça rapidamente de um lado para o outro.

Apesar de ser uma espécie consideravelmente comum, geralmente encontrada próxima a assentamentos humanos, ainda é pouco conhecida em relação a seus aspectos ecológicos e fisiológicos.

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Referências:

Barbosa, E. P., Kaminski, L. A., & Freitas, A. V. L. 2010. Immature stages of the butterfly Diaethria clymena janeira (Lepidoptera: Nymphalidae: Biblidinae). Zoologia, 27 (5), 696-702 DOI:10.1590/S1984-46702010000500005

Learn about Butterflies. “88 Butterfly”. Disponível em: <http://www.learnaboutbutterflies.com/Amazon%20-%20Diaethria%20clymena.htm>. Acesso em 7 de setembro de 2012.

Wikipedia. Diaethria clymena. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Diaethria_clymena>. Acesso em 7 de setembro de 2012.

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Se você gosta de flores, deveria amar insetos

por Piter Keboma Boll

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Todo mundo gosta de flores, certo? Elas são tão coloridas e bonitas e geralmente possuem um aroma maravilhoso. As pessoas amam tê-las em seus jardins e mulheres amam receber um belo buquê de flores de seus namorados.

Algumas plantas com flores, da esquerda para a direita: Rosa 'Hybrid Tea', Pachystachys lutea e Zinnia elegans. Todas as fotos por Piter K. Boll (isto é, eu mesmo)*.
Algumas plantas com flores, da esquerda para a direita: Rosa ‘Hybrid Tea’, Pachystachys lutea e Zinnia elegans. Todas as fotos por Piter K. Boll (isto é, eu mesmo)*.

Mas por quê as flores são tão bonitas? É claro que as flores vistas acima são derivadas de variedades artificialmente selecionadas por humanos para aumentar sua beleza, mas flores na natureza também são maravilhosas!

Flores que ocorrem naturalmente. Da esquerda para a direita: Oxalis sp., Ipomoea fimbriosepala e Zephyranthes robusta. Todas as fotos minhas de novo (Piter K. Boll)*
Flores que ocorrem naturalmente. Da esquerda para a direita: Oxalis sp., Ipomoea fimbriosepala e Zephyranthes robusta. Todas as fotos minhas de novo (Piter K. Boll)*

Certamente essa beleza não possui a intenção de agradar pessoas ou o que quer que seja. Isso é pura besteira e somente alguns religiosos poderiam ter uma ideia tão errada. Se as plantas possuem belas flores, isso precisa dar-lhes alguma vantagem.

Como todos sabem (ou assim espero), as plantas geralmente não podem se mover como os animais, de forma que elas estão condenadas a ficar quietas em seu lugar. Isso pode significar uma porção de problemas quando você está procurando por recursos como água, luz ou elementos básicos como nitrogênio. Assim a evolução levou ao surgimento de estruturas incríveis para fazer as plantas sobreviverem, como adquirir um caule rígido para se tornar mais alta ou desenvolver folhas menores ou maiores, espinhos, gavinhas, ou mesmo se tornar carnívoras. Mas as plantas também precisam se reproduzir e para isso elas precisam de um parceiro, mas visto que elas são presas ao substrato, elas precisam encontrar maneiras alternativas de juntar seus gametas.

A maioria das plantas primitivas resolve isso através da água ou do vento, apenas deixando suas estruturas reprodutivas partirem e esperando que elas cheguem ao seu destino. Como você pode ver, este método não é o melhor, visto que a fertilização ocorre totalmente por sorte. Além disso, estas maneiras são limitadas em relação aos locais em que são bem-sucedidas. Uma planta fertilizada pela água precisa estar dentro da água ou viver próxima ao solo ou em locais onde ela eventualmente ficará submersa; da mesma forma, uma planta que depende do vento precisa, é claro, estar onde o vento sopra.

Musgo (esquerda) depende de água para se reproduzir, enquanto coníferas (direita) precisam de vento. Mais uma vez, fotos de Piter K. Boll.*
Musgo (esquerda) depende de água para se reproduzir, enquanto coníferas (direita) precisam de vento. Mais uma vez, fotos de Piter K. Boll.*

Esses métodos, apesar de limitados, funcionaram bem o bastante por milhões de anos até algum ponto do período cretáceo, quando um grupo de animais começou a se diversificar de maneira impressionante: os insetos.

Insetos são pequenos e prolíficos. Eles possuem um esqueleto externo duro de quitina, o que previne a desidratação e muitos ferimentos, e muitos deles aprenderam a voar, assim sendo capazes de cruzar grandes distâncias e colonizar novos ambientes.

Os insetos existem, claro, pelo menos desde o Carbonífero. O mais famoso deles é a libélula gigante Meganeura. Mas durante o Cretáceo aqueles grupos que hoje são os mais diversos começaram a aparecer em fósseis: formigas, abelhas, cupins, borboletas, mariposas, pulgões e gafanhotos. Besouros, o grupo mais diverso de insetos hoje (contendo mais espécies que todos os outros artrópodes juntos) são encontrados em fósseis desde o Carbonífero, mas quase se tornaram extintos durante a divisão Permiano-Triássico que marca a extinção em massa mais terrível na Terra. Após esse evento trágico, eles se mantiveram mais discretos até uma explosão em diversificação no Cretáceo junto com os insetos já mencionados.

Bem, todos esses insetos precisavam comer pra caramba e começaram a se alimentar de plantas, incluindo seu pólen. Isso poderia ser um sério problema, mas as plantas acharam um jeito de lidar com isso modificando a si mesmas de forma que os insetos se tornaram algo útil a elas.Se os insetos eram atraídos pelo seu pólen, por que eles não poderiam carregá-lo para outras plantas, assegurando assim uma fertilização mais segura? Foi isso mesmo que as plantas fizeram, mas para atrair os insetos ainda mais para seus órgãos reprodutores, elas começaram a aumentar de tamanho e a adquirir belas cores. Isso tudo aconteceu através de seleção natural de mutações aleatórias, é claro. Ninguém está assumindo que as plantas ou os insetos realmente escolheram mudar, isso é besteira. O que estou tentando dizer (de forma mais simples) é que aquelas plantas que eram capazes de conectar alguns de seus grãos de pólen aos insetos, de forma que eles atingissem outras plantas que o inseto visitasse, eram mais bem sucedidas em se reproduzir. Da mesma forma, aquelas plantas com flores mais bonitas atraíam mais insetos e também eram mais bem sucedidas se reproduzindo.

Enfim, é por isso que devemos agradecer aos insetos por existirem, porque sem eles não teríamos flores tão bonitas para decorar nossas vidas. E se você gosta de flores, mas odeia insetos, bem, você está sendo muito injusto com a natureza.

Eu sei que alguns podem pensar “mas eu gosto de borboletas. Elas são bonitas e legais e fofas e polinizam tudo, então só preciso gostar destes insetos e não de todas aquelas coisas nojentas.”

Ah é mesmo? Então você gosta de borboletas? Estou certo de que você gosta desta:

Lagarta de Agraulis vanillae. Foto de Bill Frank, extraída de jaxshells.org
Lagarta de Agraulis vanillae. Foto de Bill Frank, extraída de jaxshells.org

A maioria das pessoas gosta de borboletas e odeia lagartas, mas elas são exatamente a mesma coisa. E na verdade esses insetos passam a maior parte da vida como larvas. Agora só para saciar sua curiosidade, é com isso que aquela lagarta se parece quando adulta:

Um adulto de Agraulis vanillae em um capítulo de Zinnia elegans. Foto de Piter K. Boll.*
Um adulto de Agraulis vanillae em um capítulo de Zinnia elegans. Foto de Piter K. Boll.*

Mas borboletas não são os únicos polinizadores e nem mesmo os mais comuns. Abelhas, como você sabe, são também muito importantes e os principais polinizadores de muitas plantas economicamente importantes, especialmente frutíferas. Vespas, moscas, mosquitos, moscas-escorpiões e mariposas também são importantes, mas não podemos esquecer dos besouros.

A maioria das angiospermas basais e primitivas são polinizadas por besouros, então esses caras devem estar por trás do surgimento e da diversificação de plantas com flores. Há muitas evidências para isso, como um aumento da diversidade de angiospermas no registro fóssil sendo contemporânea com um aumento de espécies de besouros.

Recentemente, algumas flores fósseis da época turoniana (cerca de 90 milhões de anos) foram encontradas em Sayreville, New Jersey. Elas foram chamadas de Microvictoria svitkoana devido à impressionante similaridade com a vitória-régia, Victoria amazonica, apesar de muito menores em tamanho.

Flor de Victoria amazonica, uma das angiospermas mais primitivas. É fácil notar que ela de certa forma ainda lembra um cone de conífera. Foto de Frank Wouters.*
Flor de Victoria amazonica, uma das angiospermas mais primitivas. É fácil notar que ela de certa forma ainda lembra um cone de conífera. Foto de Frank Wouters.*

Apesar de primitiva, é certamente uma flor muito bonita, e só pode existir graças a besouros do gênero Cyclocephala, como este:

Cyclocephala hardyi, um besouro que poliniza Victoria amazonica. Foto extraída de ssaft.com/Blog/dotclear/
Cyclocephala hardyi, um besouro que poliniza Victoria amazonica. Foto extraída de ssaft.com/Blog/dotclear/

O que achou dele? Até que é um rapaz legal, não é? Se você olhar mais de perto, verá que cada inseto é impressionante de sua própria forma, até mesmo baratas!

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Referências:

Béthoux, O. 2009. The Earliest Beetle Identified. Journal of Paleontology, 83(6), 931-937 DOI: 10.1666/08-158.1

Crepet, W. L. 1996. Timing in the evolution of derived floral characters: Upper Cretaceous (Turonian) taxa with tricolpate and tricolpate-derived pollen. Review of Palaeobotany and Palynology, 90, 339-359 DOI: 10.1016/0034-6667(95)00091-7

Gandolfo, M. A., Nixon, K. C. and Crepet, W. L. 2004. Cretaceous flowers of Nymphaeaceae and implications for complex insect entrapment pollination mechanisms in early Angiosperms. PNAS, 101 (21), 8056-8060 DOI:10.1073/pnas.0402473101

Seymour, R. S. and Matthews, P. G. D. 2006. The Role of Thermogenesis in the Pollination Biology of the Amazon Waterlily Victoria amazonica. Annals of Botany, 98 (6), 1129-1135 DOI: 10.1093/aob/mcl201

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