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Sexta Selvagem: Esponja-gradeada-comum

por Piter Kehoma Boll

Vamos voltar ao mar e a nossos parentes distantes, as esponjas. Hoje vou trazer uma esponja calcária com uma bela aparência, Clathrina clathrus, que eu decidi chamar de “esponja-gradeada-comum”.

Encontrada no Mar Mediterrâneo e na costa europeia do Oceano Atlântico, a esponja-gradeada comum possui uma coloração amarela e cerca de 10 cm de diâmetro. Ela é formada por um emaranhado de tubos que de certa forma lembram uma grade torcida ou algo do tipo.

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Um espécime de Clathrina clathrus com sua aparência gradeada. Foto do usuário Esculapio do WIkimedia.*

O formato e o tamanho dos espécimes é bem variado, mudando em questão de horas por expansão, contração ou dobramento de estruturas e células. Da mesma forma, espécimes frequentemente se fragmentam em outros menores ou fundem para formar outros maiores, de forma que a individualidade é um processo dinâmico.

Recentemente, a esponja-gradeada-comum revelou conter alguns compostos, conhecidos como clatridiminas, que apresentam atividade antimicrobiana contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, bem como contra o fungo Candida albicans. Estes compostos podem ser produzidos pela diversa comunidade de bactérias que vivem em associação íntima com a esponja, uma comunidade que ainda é muito pouco conhecida.

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Referências:

Gaino, E.; Pansini, M.; Pronzato, R.; Cicogna, F. (1991) Morphological and structural variations in Clathrina clathrus (Porifera, Calcispongiae). In.: Reitner, J.; Keupp, H. (Eds.) Fossil and Recent Sponges. Springer-Verlag, Berlin. pp. 360-371.

Quévrain, E.; Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2014) Assessing the potential bacterial origin of the chemical diversity in calcareous sponges. Journal of Marine Science and Technology 22(1): 36-49.

Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Ereskovsky, A.; Djediat, C.; Perez, T.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2010) Cellular localization of clathridimine, an antimicrobial 2-aminoimidazole alkaloid produced by the Mediterranean calcerous sponge Clathrina clathrusThe Journal of Natural Products 73(7): 1277–1282.

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Sexta Selvagem: Crosta-rosada

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver andando por uma floresta na Europa pode encontrar a casca de algumas árvores coberta por uma fina crosta rosada ou alaranjada. Comumente chamada de crosta-rosada, seu nome científico é Peniophora incarnata.

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Crosta-rosada crescendo em um ramo morto. Foto de Jerzy Opiała.*

Como acontece com a maior parte dos fungos, a crosta-rosada é sapróbica, isto é, se alimenta de material morto, neste caso de madeira morta, se forma que é mais comumente encontrada em ramos mortos. Ela afeta uma variedade de espécies de plantas, especialmente angiospermas, mas pode eventualmente crescer em pinheiros.

Às vezes considerada uma peste por sua habilidade de apodrecer madeira, a crosta-rosada também tem alguns benefícios interessantes. Ela demonstrou possuir atividade microbiana, sendo uma fonte potencial para a produção de antibióticos, e também é capaz de degradar alguns produtos carcinogênicos usados para tratar madeira, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of Life. Peniophora Incarnata – Rosy Crust. Disponível em: <http://www.eol.org/pages/1009530/overview&gt;. Acesso em 22 de setembro de 2016.

Lee, H., Yun, S., Jang, S., Kim, G., & Kim, J. (2015). Bioremediation of Polycyclic Aromatic Hydrocarbons in Creosote-Contaminated Soil by Peniophora incarnata KUC8836 Bioremediation Journal, 19 (1), 1-8 DOI: 10.1080/10889868.2014.939136

Suay, I., Arenal, F,, Asensio, F. J., Basilio, A., Cabello, M. A., Díez, M. T., García, J. B., González del Val, A., Gorrochategui, J., Hernández, P., Peláez, F., & Vicente, M. F. (2000). Screening of basidiomycetes for antimicrobial activities Antonie van Leeuwenhoek, 78 (2), 129-140 DOI: 10.1023/A:1026552024021

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