Sexta Selvagem: Tulipeiro

por Piter Kehoma Boll

Quando as pessoas chegam a uma localidade nova e encontram espécies novas, precisam pensar em formas de nomeá-las, o que pode acontecer por empréstimo de um nome numa língua local ou pela invenção de um nome novo em sua própria língua. Quando os primeiros europeus chegaram à América do Norte, descobriram uma bela árvore crescendo no que agora é o leste dos Estados Unidos. O povo Miami chamava essa árvore de oonseentia, mas todos sabemos como os europeus tratavam os nativos americanos naquela época. Assim, em vez de pegarem essa palavra emprestada, eles inventaram um novo novo e completamente enganoso: tulipeiro.

Tulipeiro cultivado na Bélgica. Foto de Jean-Pol Grandmont.**

Linnaeus deu a essa árvore seu nome binomial atualmente aceito: Liriodendron tulipifera, significando literalmente “árvore de lírios que leva tulipas”. No entanto esta espécie não tem nada a ver com lírios ou tulipas, sendo na verdade proximamente relacionada às magnólias.

Atingindo até 50 m de altura e raramente ficando ainda mais alto que isso, o tulipeiro possui ramos lisos e uma casca castanha e cheia de sulcos. As folhas possuem quatro grandes lobos que, se você se esforçar bastante, podem se parecer um pouco com um violino, razão que a faz ter um nome comum adicional em inglês: fiddletree, algo como “violineiro” ou “árvore de violino”.

Uma folha com o típico formato de “violino” de uma árvore na Virgínia, EUA. Créditos ao usuário PumpkinSky do Wikimedia.*

As flores do tulipeiro aparecem no verão e se assemelham muito superficialmente a tulipas, apesar de sua estrutura ser bem diferente. Elas possuem três sépalas verdes e seis pétalas que são arranjadas em uma espiral que continua para dentro para formar os estames e então os pistilos, os quais formam um cone central. Este arranjo é considerado primitivo entre as angiospermas e meio que se parece com algo intermediário entre um cone de gimnosperma e uma flor verdadeira de angiosperma.

Flores numa árvore em Nova Jersey, EUA. Foto do usuário Famartin do Wikimedia.*

As sementes maduras, chamadas samaras, são dispersadas pelo vento. Elas se desenvolvem no outono e são armazenadas num fruto que lembra um cone. Como uma espécie tipicamente temperada, o tulipeiro é decíduo, perdendo as folhas no inverno.

Frutos com geada no inverno na Virgínia, EUA. Foto de Jörg Peter.

O tulipeiro é considerado uma espécie que domina o primeiro século de uma floresta desde o estabelecimento desta. Ele é uma espécie intolerante à sombra, então quando outras árvores começam a crescer entre eles e bloqueiam muito da luz solar, eles tendem a perecer.

Devido à sua beleza, o tulipeiro se tornou uma planta ornamental e vários cultivares foram desenvolvidos. Sua madeira também é usada para a construção e os nativos americanos costumavam construir canoas com seus troncos. Devido à sua madeira, o tulipeiro também recebe o nome comum de “choupo amarelo”, apesar de não ser proximamente relacionado com choupos verdadeiros, como o choupo-preto e o choupo-branco. De fato, sua madeira não é similar, com a madeira do tulipeiro ou “choupo amarelo” sendo de qualidade muito superior. Em outras palavras, o nome “choupo amarelo” é tão enganoso quanto o nome “tulipeiro”.

Grandes e velhos tulipeiros na Floresta Memorial Joyce Kilmer, Carolina do Norte, EUA. Foto do usuário Notneb82 do Wikimedia.**

A parte laranja das pétalas contém néctar que, quando coletado pelas abelhas, cria um mel especial e forte que geralmente não é considerado apropriado como mel de mesa, mas é muito valorizado por padeiros.

Os nativos americanos e os primeiros colonizadores europeus usavam o tulipeiro para tratar a malária e estudos modernos confirmaram que alguns de seus constituintes apresentam atividade antiplasmodial, bem como propriedades antioxidantes, antimicrobianas e citotóxicas, possuindo potencial para o desenvolvimento de novos antibióticos e drogas anticâncer.

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Referências:

Quassinti L, Maggi F, Ortolani F, Lupidi G, Petrelli D, Vitali LA, Miano A, Bramucci M (2019) Exploring new applications of tulip tree (Liriodendron tulipifera L.): leaf essential oil as apoptotic agent for human glioblastoma. Environmental Science and Pollution Research26:30485–30497. https://doi.org/10.1007/s11356-019-06217-4

Wikipedia. Liriodendron tulipifera. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Liriodendron_tulipifera>. Acesso em 18 de junho de 2020.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 4.0 Internacional.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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