Sexta Selvagem: Cardo-Globoso-Vermelho

por Piter Kehoma Boll

A família Asteraceae (ou Compositae), às vezes chamada de “a família da margarida”, é a maior família de plantas, com mais de 30 mil espécies atualmente aceitas. Esta família é caracterizada por uma inflorescência chamada capítulo que é formada por várias flores pequenas arranjadas em uma forma compacta de maneira que a estrutura inteira parece uma só flor. Uma de suas subfamílias, Carduoideae, inclui espécies conhecidas como cardos e, entre eles, um gênero, Echinops é bem incomum em meio à família toda.

Os capítulos de Echinops, diferente da maioria das asteráceas, contém só uma flor, e estes capítulos de uma flor só ficam arranjados em inflorescências secundárias que formam uma estrutura globosa. Por isso, espécies de Echinops são chamadas de “cardos-globosos”. A maioria das espécies de cardo-globoso possui flores azuis ou brancas, mas uma espécie, Echinops amplexicaulis, possui uma cor vermelho-escura. Apesar de não ter um nome comum em português, até onde eu saiba, acho que cardo-globoso-vermelho é um nome excelente.

Cardo-globoso-vermelho na Etiópia. Foto de Alberto Vascon, extraída de centralafricanplants.senckenberg.de

Encontrado em campos secos e florestas secas da África central, o cardo-globoso-vermelho atinge uma altura entre 1 e 1,5 m e possui um caule vertical geralmente não ramificado com folhas endurecidas cujas margens são dentadas e os lobos possuem um espinho terminal como é típico entre os cardos.

Espécime na República Democrática do Congo. Foto de Mathias D’haen.*

As raízes do cardo-globoso-vermelho são tradicionalmente usadas em Uganda e na Etiópia para tratar uma série de condições, incluindo AIDS, tripanossomíase, linfagite ulcerativa, hidrocele, tuberculose e dor de estômago. Estudos em laboratório identificaram atividade antituberculose do extrato das raízes in vitro contra linhagens de Mycobacterium, incluindo linhagens resistentes às drogas atualmente usadas para tratar a infecção.

Aparentemente não há estudos abordando os outros efeitos alegados. Também não há estudos sobre a ecologia ou o ciclo de vida desta espécie. Em outras palavras, isso é tudo que tenho para dizer sobre este adorável e peculiar cardo-globoso.

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Referências:

Bitew H, Hymete A (2019) The Genus Echinops: Phytochemistry and Biological Activities: A Review. Frontiers in Pharmacology 10: 1234. https://doi.org/10.3389/fphar.2019.01234

Kevin K, Kateregga J, Carolyn N, Derrick S, Lubega A (2018) In Vitro Anti-tuberculosis Activity of Total Crude Extract of Echinops amplexicaulis against Multi-drug Resistant Mycobacterium tuberculosis. Journal of Health Science 6: 296–303. https://doi.org/10.17265/2328-7136/2018.04.008

Tadesse M (1997) A revision of the genus Echinops (Compositae-Carduae) in Tropical Africa. Kew Bulletin 52(4):879–901. https://doi.org/10.2307/4117817

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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