Sexta Selvagem: Capim-Africano

por Piter Kehoma Boll

As gramíneas compreendem uma das famílias mas bem-sucedidas de plantas com flores e são as personagens principais em campos, os quais podem cobrir enormes áreas da superfície da Terra. Nem todas as espécies cobrem grandes áreas, no entanto, ao menos não em seus habitats nativos. Um exemplo é Pennisetum macrourum, o “capim africano”.

Nativo da África do Sul e de países vizinhos, o capim-africano é uma espécie perene que cresce em solos que passam por inundação periódica. Assim, ele geralmente cresce perto de corpos d’água ou em áreas que formam lagoas temporárias durante a estação chuvosa.

Uma touceira de capim-africano no Parque Nacional Kruger na África do Sul com um cudo-maior (Tragelaphus strepsiceros strepsiceros) ao fundo. Foto de Johnny Wilson.*

Atingindo até 2 m de altura, o capim-africano forma touceiras densas e não se espalha uniformemente através do substrato. Ele produz a inflorescência típica do gênero Pennisetum, uma panícula estreita e densa com espiguetas intercaladas com cerdas, dando um aspecto felpudo. A panícula fresca é verde-clara a branca mas se torna marrom-clara quando madura.

Panícula vista de perto. Foto de Douglas Euston-Brown.*

Enquanto a maioria das gramíneas morre durante a época seca, o capim-africano persiste através do ano, sendo uma fonte importante de alimento para animais pastadores selvagens, e também é oferecido como alimento ao gado domesticado. Ele não é uma gramínea muito saborosa e nutritiva, no entanto, e a maioria dos animais evita comê-lo se há outras gramíneas disponíveis.

Uma touceira em Stellenbosch, África do Sul. Foto de Dave Richardson.*

Apesar de sua importância para espécies nativas, o capim-africano ganhou status de vilão em outros lugares. A espécie foi introduzida na Nova Zelândia e na Austrália e se tornou uma praga incômoda. Espalhando-se rapidamente pelo ambiente, o capim-africano elimina gramíneas nativas por competição e não é visto como um alimento de boa qualidade pelos animais de lá tampouco. Apesar disso, não fui capaz de encontrar qualquer trabalho recente se referindo a esta situação, incluindo o status do capim nos países mencionados acima e formas de controlá-lo.

Panículas cobertas de teia-de-aranha e orvalho na Nova Zelândia. Foto do usuário ben_banks do iNaturalist.*

Parece que ainda há muito a ser estudado sobre esta gramínea africana tanto em seus habitats nativos quanto em locais em que foi introduzida.

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Referências:

Brewer J, Loveless AR (1977) Ergot of Pennisetum macrourum in South Africa. Kirkia 10(2):589–600.

Harradine AR (1980) The biology of African feather grass (Pennisetum macrourum Trin.) in Tasmania, I. Seedling establishment. Weed Research 20(3):165–168. DOI: 10.1111/j.1365-3180.1980.tb00063.x

Shem M, Mtengeti EJ, Luaga M, Ichinohe T, Fujihara T (2003) Feeding value of wild Napier grass (Pennisetum macrourum) for cattle supplemented with protein and/or energy rich supplements. Animal Feed Science and Technology 108:15–24. DOI: 10.1016/S0377-8401(03)00167-6

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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