Sexta Selvagem: Lobo-de-Abelha-Europeu

por Piter Kehoma Boll

Entre as espécies da altamente diversa ordem de insetos Hymenoptera, muitas são conhecidas por serem parasitas ou parasitoides de uma variedade de animais e plantas. Espécies parasitadas comumente conhecidas incluem aranhas e lagartas, mas alguns himenópteros parasitam outros himenópteros.

Um dessas espécies é Philanthus triangulum, conhecida como lobo-de-abelha-europeu. O nome lobo-de-abelha se refere ao fato de esta espécie caçar abelhas, particularmente a abelha-europeia-comum, Apis mellifera. Esta espécie ocorre através da Europa e da África, possuindo várias subespécies.

Um lobo-de-abelha-europeu fêmea em Gran Canaria, Espanha. Foto de Juan Emilio.**

O lobo-de-abelha-europeu possui cerca de o mesmo comprimento de sua presa, a abelha-europeia-comum, mas seu corpo possui um jeitão mais de vespa. O abdome e as pernas são predominantemente amarelos, enquanto a cabeça e o tórax são principalmente pretos e marrons. O abdome amarelo possui listras pretas transversais que são típicas de muitas espécies de vespas, mas sua largura pode variar. Os machos são menores que as fêmeas e possuem entre os olhos uma marca clara característica em forma de tridente que está ausente ou é muito pequena em fêmeas.

Um macho na Andaluzia, Espanha. Veja a marca em forma de tridente entre os olhos. Foto do usuário gailhampshire do flickr.*

Em regiões mais frias, onde o inverno é mais rigoroso, os lobos-de-abelha-europeus emergem como adultos no começo do verão. Tanto machos quanto fêmeas adultos se alimentam do néctar de várias plantas. As fêmeas criam grandes e muitas vezes complexas tocas em solos arenosos em locais abertos e ensolarados. As tocas podem ter até um metro de comprimento e possuem entre 3 e 24 túneis curtos, as câmaras da prole, no final, cada uma das quais será usada para criar uma larva. Uma vez terminando a toca, a fêmea procura por abelhas-europeias para caçar. Quando ataca a abelha, o fêmea de lobo-de-abelha a ferroa atrás das patas dianteiras e a paralisa, voando então de volta ao ninho e carregando a abelha paralisada abaixo de si entre as pernas. Até cinco abelhas podem ser fornecidas para cada larva e são sua única fonte de alimento durante seu desenvolvimento.

Uma fêmea com uma abelha parasitada na Inglaterra. Foto de Martin Cooper.*

Os machos tendem a viver perto das tocas das fêmeas e usam feromônios sexuais para atraí-las. Apesar de serem territoriais, eles às vezes toleram outros machos por perto porque isso aumenta a liberação de feromônios e assim aumenta as chances de serem detectados pelas fêmeas.

Após a fêmea fornecer alimento suficiente para cada ovo, ela fecha a toca e vai embora. Contudo, visto que as larvas permanecerão vários meses naquele ambiente fechado e úmido, elas podem acabar sofrendo com o crescimento de mofo que pode destruir a elas ou ao alimento. As fêmeas parecem ter desenvolvido várias estratégias para reduzir este problema. Primeiro, antes de pôr o ovo na abelha, a vespa lambe a maior parte da superfície da abelha, aplicando uma secreção de uma glândula pós-faríngea. Apesar de esta secreção não ter propriedades antimicóticas, ela parece reduzir a condensação de água no corpo da abelha, o que também retarda o desenvolvimento de fungos, e ao mesmo tempo previne a perda de água pelo corpo da abelha, garantindo que as larvas terão a quantidade de água necessária para sobreviverem.

Carregando uma abelha para a tocana Inglaterra. Foto de Charlie Jackson.*

As fêmeas do lobo-de-abelha-europeu vivem simbioticamente com bactérias do gênero Streptomyces que cultivam em glândulas especializadas nas antenas. Elas “secretam” as bactérias nas câmaras antes de irem embora e mais tarde, quando as larvas eclodem, elas coletam as bactérias e as aplicam na superfície de um casulo que constroem para passar o inverno. Estas bactérias previnem, assim, fungos e outras bactérias de crescerem no casulo, protegendo a larva de infecções.

A natureza nunca para de nos surpreender com estratégias maravilhosas e tão belamente construídas pela seleção natural.

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Referências:

Herzner G, Schmitt T, Peschke K, Hilpert A, Strohm E (2007) Food Wrapping with the Postpharyngeal Gland Secretion by Females of the European beewolf Philanthus triangulum.Journal of Chemical Ecology 33:849–859. doi: 10.1007/s10886-007-9263-8

Herzner G, Strohm E (2008) Food wrapping by females of the European Beewolf, Philanthus triangulum, retards water loss of larval provisions. Physiological Entomology 33:101–109. doi: 10.1111/j.1365-3032.2007.00603.x

Kaltenpoth M, Goettler W, Dale C, Stubblefield JW, Herzner G, Roeser-Mueller K, Strohm Erhard (2006) ‘Candidatus Streptomyces philanthi’, an endosymbiotic streptomycete in the antennae of Philanthus digger wasps. International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology 56: 1403–1411. doi: 10.1099/ijs.0.64117-0

Wikipedia. European beewolf. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/European_beewolf >. Access on 20 February 2020.

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**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 2.0 Genérica.

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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