Sexta Selvagem: Lagosta-Espinhosa-Pintada

por Piter Kehoma Boll

Nenhuma outra espécie no mundo come uma diversidade tão grande de tipos de alimento quanto humanos. E entre todas as coisas que comemos, algumas são muito mais valiosas que outras, e uma dessas comidas preciosas é a carne de Panulirus versicolor, a lagosta-espinhosa-pintada.

Lagosta-espinhosa-pintada em Fiji. Foto de Mark Rosenstein.*

Também conhecida como lagosta-das-rochas-pintada, a lagosta-espinhosa-azul, este crustáceo mede até 40 cm de comprimento e, como todas as lagostas-espinhosas, possui um par de antenas muito grande e espinhoso e não possui as grandes quelas (pinças) no primeiro par de pernas cursoriais que são típicas das lagostas verdadeiras. Seu padrão de coloração é muito complexo e inclui várias marcas brancas e pretas nas pernas, no cefalotórax e na borda posterior de cada segmento abdominal. As grandes antenas possuem uma cor rosada na base mais espessa e são brancas mais à frente.

Outra em Fiji. Foto de Mark Rosenstein.*

A lagosta-espinhosa-pintada é encontrada em recifes de corais da região indo-pacífica, da África do Sul até a Polinésia. Ela é um carnívoro voraz, alimentando-se de carcaças, mas também caçando ativamente outros crustáceos e eventualmente peixes. Elas são noturnas e permanecem durante o dia escondidas em abrigos rochosos e saem à noite para capturar outros bentos (isto é, espécies que se movem pelo fundo do mar). Apesar de não terem uma estrutura social complexa, as lagostas-espinhosas-pintadas podem dividir a mesma toca caso haja espaço suficiente e elas aparentemente preferem fazer assim, mesmo os grupos não permanecendo juntos, pois a maioria dos indivíduos muda para uma nova toca a cada poucos dias. A forma como elas compartilham as tocas não é aleatória, no entanto. Lagostas-espinhosas-pintadas fêmeas compartilham tocas mais frequentemente do que aconteceria ao acaso, mas dois machos nunca são encontrados na mesma toca. Assim, mesmo tocas grandes que podem abrigar sete ou mais lagostas-espinhosas terão no máximo um macho.

Esta é de Sulawesi, Indonesia. Foto de Albertini maridom.**

Machos e fêmeas têm cerca do mesmo tamanho e se tornam sexualmente maduros quando sua carapaça atinge cerca de 8 a 9 cm de comprimento, o que ocorre quando estão com cerca de 4 anos de idade. Após o acasalamento, a fêmea pode produzir centenas de milhares de ovos em uma só ninhada. Como elas vivem em águas tropicais, podem acasalar mais de uma vez por ano.

Através de sua distribuição, a lagosta-espinhosa-pintada é considerada um alimento valioso em vários países, especialmente Quênia, Índia, Palau, Nova Guiné e Austrália. É, de fato, uma das lagostas-espinhosas mais consumidas na região indo-pacífica. Contudo há poucos estudos sobre o impacto que coletá-las pode ter nos ecossistemas, apesar de se esperar que a maioria dos pescadores de lagostas-espinhosas saiba que indivíduos imaturos não devem ser capturados de forma a assegurar a sobrevivência da espécie.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

Precisa de ajuda para preparar seu artigo científico? Fale com a A1 Assessoria em Produção Acadêmica. Oferecemos serviços de tradução, revisão, formatação e preparação de figuras a preços acessíveis! Nosso email: a1academica@gmail.com

– – –

Referências:

Frisch AJ (2007) Growth and reproduction of the painted spiny lobster (Panulirus versicolor) on the Great Barrier Reef (Australia). Fisheries Research 85:61–67. doi: 10.1016/j.fishres.2006.12.001

Frisch AJ (2007) Short- and long-term movements of painted lobster (Panulirus versicolor) on a coral reef at Northwest Island, Australia. Coral Reefs 26:311–317. doi: 10.1007/s00338-006-0194-6

Frisch AJ (2008) Social organisation and den utilisation of painted spiny lobster (Panulirus versicolor) on a coral reef at Northwest Island, Australia. Marine and Freshater Research 59:521–528. doi: 10.1071/MF06110

Vijayakumaran M, Maharajan A, Rajalakshmi S, Jayagopal P, Subramanian MS, Remani MC (2012) Fecundity and viability of eggs in wild breeders of spiny lobsters, Panulirus homarus (Linnaeus, 1758), Panulirus versicolor (Latreille, 1804) and Panulirus ornatus (Fabricius, 1798). Journal of the Marine Biological Association of India 54: 18–22.

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial e Compartilhamento Igual 4.0 Internacional.

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em crustáceos, Sexta Selvagem, Zoologia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s