Sexta Selvagem: Asa-de-Colher-Turca

por Piter Kehoma Boll

Continuando a tradição que apliquei nos dias da quinquagésima e da centésima Sexta Selvagem, hoje teremos duas novamente, de forma que você não precisa esperar mais uma semana pela ducentésima primeira.

Vamos sair do mar no noroeste da Europa para a terra no sudeste da Europa, mais precisamente na região mediterrânea entre os Bálcãs e a Turquia. Durante maio e junho, você pode encontrar esta espécie voando em prados e campos procurando por flores amarelas. Seu nome é Nemoptera sinuata, uma das espécies do gênero Nemoptera, conhecidas em inglês como spoonwings (asas-de-colher) ou thread-winged antlions (formigas-leões-de-asas-de-barbante). Para distingui-la de outras espécies, decidi chamá-la de asa-de-colher-turca.

Uma asa-de-colher-turca visitando as flores de Achillea coarctata na Bulgária. Foto de Paul Cools.*

Como todas as formigas-leões, a asa-de-colher-turca é um inseto da ordem Neuroptera. Os adultos possuem um par de grandes e ovais asas anteriores e um par de longas e finas asas posteriores, ambas possuindo um padrão de marcas pretas e brancas que fazem ser difícil localizá-los contra o fundo. Eles são exclusivamente diurnos e e voam muito lentamente usando apenas as asas anteriores. Quando encontram suas flores favoritas, eles se alimentam do pólen e mais nada, tendo as peças bucais adaptadas para essa dieta.

Após ser inseminada por um macho, a fêmea começa a pôr os ovos. Ela pousa numa flor ou inflorescência e põe um ovo a cada dois minutos, pondo até 14 em um dia e até 70 durante seus 20 dias de vida como adulta. Os ovos, que são brancos e esféricos, caem diretamente no chão.

Espécime adulto na Grécia. Foto de Kostas Zontanos.*

As larvas deixam os ovos após cerca de 19 dias e são cinzas com manchas pretas nos segmentos do tórax e do abdome. Elas possuem mandíbulas grandes e se enterram no solo a uma profundidade de cerca de 1 cm. Como outras formigas-leões, elas se alimentam de pequenos artrópodes que capturam de surpresa pulando para fora do solo, apesar de as espécies exatas comidas por elas permanecerem em grande parte um mistério. As larvas provavelmente viram pupas durante o inverno e se tornam adultos por volta de maio do ano seguinte, preenchendo os prados novamente para buscar por flores amarelas ao sol.

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Referências:

Krenn HW, Gereben-Krenn BA, Steinwender BM, Popov A (2008) Flower visiting Neuroptera: mouthparts and feeding behavior of Nemoptera sinuata (Nemopteridae). European Journal of Entomology 105: 267–277.

Popov A (2002) Autoecology and biology of Nemoptera sinuata Olivier (Neuroptera: Nemopteridae). Acta Zoologica Academiae Scientiarum Hungaricae 48(Suppl. 2): 293–299.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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