Sexta Selvagem: Besouro-Tartaruga-Manchado

por Piter Kehoma Boll

É finalmente hora de apresentar outro besouro e eu decidi seguir com um membro da família Chrysomelidae, uma das mais diversas e importantes no mundo. A espécie escolhida, Aspidimorpha miliaris, é comumente conhecida como o besouro-tartaruga-manchado.

Um besouro-tartaruga-manchado em Taiwan. Foto de 羅忠良.*

Nativo da região indo-malaia, o besouro-tartaruga-manchado ocorre da Índia até Taiwan, as Filipinas e a Indonésia. Ele mede 1,5 cm de comprimento e, como de praxe entre besouros-tartarugas, seus élitros (asas frontais enrijecidas) e seu pronoto (a placa dorsal mais anterior do tórax) são alargados e cobrem o corpo todo. Essas estruturas são transparentes e os élitros também possuem muitas manchas pretas. O corpo visto abaixo desta armadura transparente varia de branco a amarelo e laranja.

Um espécime laranja no Nepal. Foto de Sebastian Doak.*

O besouro-tartaruga-manchado chama atenção não só por suas cores lindas, mas também porque suas larvas se alimentam vorazmente de plantas do gênero Ipomoea e outros gêneros aparentados, o que inclui, entre outras plantas, a batata-doce. Por seu hábitat ser próximo do equador, o besouro-tartaruga-manchado é capaz de se reproduzir durante o ano inteiro, apesar de seu pico de abundância ser lá por junho.

Um grupo de larvas comendo uma folha de Ipomoea em Taiwan. Foto de 利承拔.*

Os ovos eclodem cerca de 10 dias após serem postos pela fêmea e as larvas passam por cinco ínstares durante um período de 18 a 22 dias, após os quais sofrem uma muda e se tornam uma pupa que, cerca de uma semana depois, vira um adulto. As larvas vivem em grupos e possuem um corpo pálido marcado por manchas pretas no lado dorsal da maioria dos segmentos. Também há algumas projeções espinhosas correndo ao longo das margens do corpo.

Um besouro-tartaruga-manchado em Cingapura. Foto de Soh Kam Yung.*

Devido ao status do besouro-tartaruga-manchado como praga em plantações de batata-doce, formas biológicas de controlá-lo vêm sendo estudadas e incluem o uso de extratos de folhas como pesticidas e vespas parasitoides como predadores dos ovos. Por outro lado, o próprio besouro poderia ser usado como um agente eficiente para controlar a dispersão de algumas espécies invasoras de Ipomoea.

É assim que a natureza age. Seu inimigo de um lado pode ser seu amigo do outro.

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Referências:

Bhuiya BA, Miah MI, Ferdous E (2000) Biology of Cassidocida aspidomorphae Crawford (Hymenoptera: Tetracampidae), an egg parasitoid of tortoise beetles. Bangladesh Journal of Entomology 10(1/2): 23–30.

Bhuyan M, Mahanta JJ, Bhattacharyya PR (2008) Biocontrol potential of tortoise beetle (Aspidomorpha miliaris) (Coleoptera: Chrysomelidae) on Ipomoea carnea in Assam, India. Biocontrol Science and Technology 18(9): 941–947. doi: 10.1080/09583150802353705

Nakamura K, Abbas I (1987) Preliminary life table of the spotted tortoise beetle Aspidomorpha miliaris (Coleoptera: Chrysomelidae) in Sumatra. Researches on Population Ecology 29: 229–236.

Oudhia P (2000) Toxic effects of Parthenium leaf extracts on Aspidomorpha miliaris F. and Zonabris pustulata Thunb. Insect Environment 5(4): 168.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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