Quarta de Quem: Élie Metchnikoff

por Piter Kehoma Boll

Pela terceira semana em sequência, nosso cientista de destaque é um vencedor do Nobel!

Ilya Ilyich Mechnikov (em Russo: Илья Ильич Мечников), também conhecido como Élie Metchnikoff, nasceu em 15 de maio de 1845 da vila de Ivanovka na Ucrânia. Seu pai, Ilya Ivanovich Mechnikov, era um oficial russo da guarda imperial e sua mãe, Emilia Lvovna Nevakhovich, era filha do escritor Leo Nevakhovich.

Metchnikoff por volta de 1861.

Em 1856, aos 11 anos, Metchnikoff entrou para a escola Kharkiv Lycée e desenvolveu um interesse por biologia. Devido à influência de sua mãe, ele se interessava por ciência desde uma tenra idade. Ela também o convenceu a estudar ciências naturais em vez de medicina. Assim, em 1862, ele tentou estudar biologia na Universidade de Würzburg, na Alemanha, mas, como o ano acadêmico lá somente começaria no final do ano, ele acabou matriculado na Universidade de Kharkiv para estudar ciências naturais. Em 1863, ele se casou com Ludmila Feodorovitch e, em 1864, se formou aos 19 anos, completando o curso de quatro anos em dois. Naquele mesmo ano, ele foi à Alemanha para estudar a fauna marinha na ilha de Heligoland no Mar do Norte.

Após conhecer o botânico Ferdinand Cohn, Metchnikoff foi aconselhado por ele a trabalhar com o zoólogo Rudolf Leuckart na Universidade de Giessen. Junto com Leuckart, ele estudou a reprodução de nematódeos e descobriu a digestão intracelular em platelmintos. Em 1866, ele se mudou para Nápoles e trabalhou em uma tese de doutorado sobre o desenvolvimento embrionário de sépias do gênero Sepiola. Em 1867, ele se mudou para a Rússia e recebeu seu grau de doutorado com Alexander Kovalevsky da Universidade de São Petersburgo. Pelo trabalho dos dois no desenvolvimento das camadas embrionárias de invertebrados, Metchnikoff e Kovalevsky venceram o prêmio Karl Ernst von Baer.

Devido à sua competência, Metchnikoff foi apontado, ainda em 1867, professor da nova Universidade Imperial de Novorossiya (atualmente Universidade de Odessa). Ele tinha apenas 22 anos, sendo mais jovem que a maioria de seus alunos. No ano seguinte, devido a um conflito com um colega mais velho, ele foi transferido para a Universidade de São Petersburgo, mas o ambiente profissional lá era ainda pior. Ele retornou a Odessa em 1870 como professor de Zoologia e Anatomia Comparada.

Em 20 de abril de 1873, a esposa de Metchnikoff morreu de tuberculose. Este evento, combinado com seus problemas profissionais, o fizeram tentar suicídio tomando uma grande dose de ópio. Ele sobreviveu e eventualmente se recuperou e, em 1875, se casou com sua aluna Olga Belokopytova.

O assassinato de Alexandre II em 1881 levou a conflitos políticos na Rússia, os quais fizeram Metchnikoff deixar a Universidade de Odessa em 1882. Ele se mudou para a Sicília e iniciou um laboratório particular em Messina. Lá, enquanto estudava larvas de estrelas-do-mar, ele notou que, ao inserir um pequeno espino de citrus nas larvas, um grupo de células começava a rodear o espinho. Ele sugeriu que alguns glóbulos brancos no sangue eram capazes de atacar e matar patógenos, e o zoólogo Carl Friedrich Wilhelm Claus, com quem ele discutiu sua hipótese, sugeriu o nome “fagócito” para tais células.

Élie Metchnikoff por volta de 1908.

Metchnikoff apresentou seus achados sobre fagócitos em Odessa em 1883, mas sua ideia foi recebida com ceticismo por muitos especialistas, incluindo Louis Pasteur. A ideia na época era que os glóbulos brancos carregavam os patógenos para longe do local da infecção e os entregavam em outro local, espalhando-os em vez de destruí-los. Seu principal apoiador era o patologista Rudolf Virchow. De volta a Odessa, Metchnikoff foi apontado diretor de um instituto criado para produzir a vacina de Louis Pasteur contra a raiva.

Em 1885, a segunda esposa de Metchnikoff sofreu de uma febre tifoide severa. Como resultado, ele tentou suicídio mais uma vez, desta vez se injetando com bactérias espiroquetas que causam a febre recorrente. Ele sobreviveu novamente e sua esposa também sobreviveu.

Em 1888, Metchnikoff deixou Odessa novamente devido a novas dificuldades e foi a Paris pedir o conselho de Pasteur, que lhe deu uma vaga no Instituto Pasteur. Metchnikoff permaneceu lá pelo resto de sua vida. Em 1908, ele venceu o prêmio Nobel em fisiologia ou medicina devido à sua descoberta dos fagócitos. Durante seus últimos anos, ele desenvolveu uma teoria de que o envelhecimento era uma doença causada por bactérias tóxicas no intestino e que o ácido lático produzido por Lactobacillus poderia prolongar a vida.

Ele faleceu em 15 de julho de 1916 de parada cardíaca, em Paris, aos 71 anos.

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Referências:

Goldstein BI (1916) Elie Metchnikoff. The Canadian Jewish Chronicle. Disponível em < https://news.google.com/newspapers?id=BQodAAAAIBAJ&sjid=xGEEAAAAIBAJ&pg=6460,5413902&dq=%C3%A9lie+metchnikoff&hl=en >. Acesso em 14 de maio de 2019.

Wikipedia. Élie Metchnikoff. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89lie_Metchnikoff >. Acesso em 14 de maio de 2019.

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