Sexta Selvagem: Tamarutaca-Pavão

por Piter Kehoma Boll

Invertebrados possuem uma probabilidade muito menor de se tornarem populares do que vertebrados, mas de vez em quando há uma exceção, e uma delas certamente é Odontodactylus scyllarus, a tamarutaca-pavão.

Tamarutaca-pavão na Baía Guinjata, Moçambique. Foto de Peter Southwood.*

Encontrada na região indo-pacífica, da costa oeste da África até Guam, a tamarutaca-pavão é uma espécie grande e colorida da ordem de crustáceos Stomatopoda, popularmente conhecidos como tamarutacas. Medindo até 18 cm de comprimento, seu corpo é em grande parte verde com algumas manchas pretas grandes com um contorno branco no cefalotórax. As patas são laranja-avermelhadas e a região em torno dos olhos possui um tom azul-claro. Devido a esta bela aparência, a tamarutaca-pavão se tornou um animal popular para ser criado em aquários.

Vista frontal de uma tamarutaca-pavão no Mar de Andaman, Tailândia. Pode-se ver os apêndices em forma de clava usados para quebrar a concha das presas. Foto de Silke Barton.**

Tamarutacas são predadores e a tamarutaca-pavão não é exceção. Ela se alimenta principalmente de moluscos de concha, como gastrópodes e bivalves, e crustáceos. Para quebrar a forte carapaça de presa, ela a acerta com um poderoso golpe usando seu segundo par de apêndices torácicos em forma de clava. Este forte ataque, causado por um complexo mecanismo no apêndice, é tão forte que quebra facilmente a concha da presa. Em aquários, isso pode ser problemático, já que às vezes elas quebram a parede do aquário. Mais do que apenas acertar a presa com uma força incrível, o ataque da tamarutaca gera uma súbita região de baixa pressão entre a concha e o apêndice quando o apêndice se retrai rapidamente. Este fenômeno, chamado de cavitação, gera uma bolha de gás que rapidamente colapsa e gera grandes quantidades de energia na forma de calor, luz e som e cria um segundo impacto na presa.

Tamarutaca-pavão fêmea carregando ovos na Indonésia. Também é possível ver os olhos com dois hemisférios separados por uma faixa de omatídios maiores arranjados em seis linhas. Foto de Terence Zahner.***

A tamarutaca-pavão também possui um magnífico sistema visual. Seus olhos compostos são divididos em um hemisfério superior e um inferior separados por uma faixa de seis linhas de omatídios (os pequenos olhos que formam o olho composto) aumentados. Estas três regiões do olho são usadas para detectar diferentes comprimentos de onda, incluindo luz ultravioleta, e incluem até mesmo células especiais que convertem luz não-polarizada em luz polarizada, permitindo que a tamarutaca detecte luz de diferentes formas a partir de diferentes partes do olho. Este complexo sistema vem sendo estudado para o desenvolvimento de dispositivos ópticos para armazenar e ler informação.

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Reference:

Jen Y-J, Lakhtakia A, Yu C-W, Lin C-F, Lin M-J, Wang S-H, Lai JR (2011) Biologically inspired achromatic waveplates for visible light. Nature Communications 2: 363. doi: 10.1038/ncomms1358

Kleinlogel S, Marshall NJ (2009) Ultraviolet polarisation sensitivity in the stomatopod crustacean Odontodactylus scyllarus. Journal of Comparative Physiology A 195(12): 1153–1162. doi: 10.1007/s00359-009-0491-y

Land MF, Marshall JN, Brownless D, Cronin TW (1990) The eye-movements of the mantis shrimp Odontodactylus scyllarus (Crustacea: Stompatopoda). Journal of Comparative Physiology A 167(2): 155–166. doi: 10.1007/BF00188107

Marshall J, Cronin TW, Shashar N, Land M (1999) Behavioural evidence for polarisation vision in stomatopods reveals a potential channel for communication. Current Biology 9(14): 755–758. doi: 10.1016/S0960-9822(99)80336-4

Patek SN, Caldwell RL (2005) Extreme impact and cavitation forces of a biological hammer: strike forces of the peacock mantis shrimp Odontodactylus scyllarus. The Journal of Experimental Biology 208: 3655–3664. doi: 10.1242/jeb.01831

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

***Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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