Sexta Selvagem: Mosquinha-do-Banheiro

por Piter Kehoma Boll

Não importa onde você viva, você provavelmente já viu, ao menos uma vez na vida, estes insetinhos que amam paredes de banheiros. Eles pertencem à espécie Clogmia albipunctata, popularmente conhecida como mosquinha-do-banheiro, mosquinha-do-ralo, entre outros nomes.

Mosquinha-do-banheiro em Curitiba, Brasil. Foto de Evandro Maia.*

A mosquinha-do-banheiro é encontrada pelo mundo todo, sendo mais comum em áreas tropicais, mas também é frequente em zonas temperadas. Elas estão frequentemente associadas a humanos e são encontradas em banheiros e, menos menos comumente, em cozinhas. Em áreas mais quentes, elas também podem ser vistas na na natureza, especialmente perto de pequenas poças d’água com bastante matéria orgânica, como água parada em buracos de árvores mortas.

Mosquinha-do-banheiro em Matara, Sri Lanka. Foto do usuário rvp do iNaturalist.*

É muito fácil reconhecer a mosquinha-do-banheiro. Elas são cinzas e pequenas, com um comprimento de cerca de 5 mm, e possuem duas asas relativamente grandes que faz com que lembrem uma figura invertida de um coração. O corpo e as asas são cobertos por espessos pelos acinzentados que as fazem parecer mariposas. Elas são, no entanto, parte da ordem Diptera e, portanto, proximamente relacionadas a mosquitos e moscas. Ao se olhar uma delas de perto, é possível notar alguns pontos brancos bem pequenos nas asas. As antenas são longas e cada segmento possui uma coroa separada de pelos.

As larvas da mosquinha-do-banheiro são aquáticas e se alimentam de matéria orgânica em decomposição. Elas encontram o hábitat ideal nos ralos de banheiros, nos quais há matéria orgânica e umidade suficientes e uma boa proteção contra predadores, bem como uma boa estabilidade em temperatura. A larva passa por quatro ínstares durante um período de cerca de 18 dias e então se transforma numa pupa, a qual leva cerca de 5 dias para se tornar um adulto. Os adultos não comem e sua principal função é a reprodução. O ciclo de vida completo leva cerca de um mês.

Ciclo de vida da mosquinha-do-banheiro. Créditos a Jiménez-Guri et al. (2014).**

A mosquinha-do-banheiro é inofensiva na maioria das vezes e pode até ser útil ao reduzir o acúmulo de matéria orgânica que poderia entupir sistemas de drenagem. Há alguns registros de miíase urinária, isto é, parasitismo por larvas de mosca no trato urinário, causada por esta espécie, mas são casos associados a ambientes com condições sanitárias ruins e péssima higiene pessoal. A principal preocupação com esta espécie ocorre em hospitais, já que sua presença em banheiros de hospital a faz ser um possível vetor de bactérias patogênicas levadas do sistema de drenagem para os pacientes.

Durante os últimos anos, a mosquinha-do-banheiro vem sendo estudada como um modelo de desenvolvimento embrionário e expressão de genes, especialmente para estudos comparativos com um modelo bem conhecido, a mosquinha-da-banana, Drosophila melanogaster.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

El-Dib NA, Wahab WMAE, Hamdy DA, Ali MI (2017) Case Report of Human Urinary Myiasis Caused by Clogmia albipunctata (Diptera: Psychodidae) with Morphological Description of Larva and Pupa. Journal of Arthropod-Borne Diseases 11(4): 533–538.

Faulde M, Spiesberger M (2012) Hospital infestations by the moth fly, Clogmia albipunctata (Diptera: Psychodinae), in Germany. Journal of Hospital Infection 81(2): 134–136. doi: 10.1016/j.jhin.2012.04.006

Faulde M, Spiesberger M (2013) Role of the moth fly Clogmia albipunctata(Diptera: Psychodinae) as a mechanical vector of bacterial pathogens in German hospitals. Journal of Hospital Infection 83(1): 51–60. doi: 10.1016/j.jhin.2012.09.019

Jiménez-Guri E, Wolton KR, Gavilán B, Jaeger J (2014) A staging schefor the development of the moth midge Clogmia albipunctata. PLoS One 9(1): e84422. doi: 10.1371/journal.pone.0084422

Oboňa J, Ježek J (2012) Range expansion of the invasive moth midge Clogmia albipunctata (Williston, 1893) in Slovakia (Diptera: Psychodidae). Folia faunistica Slovaca 17(4): 387–391.

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s