Sexta Selvagem: Opilião-de-Escudo-Platense

por Piter Kehoma Boll

Sob troncos caídos e rochas na serapilheira de florestas e jardins em torno do Rio La Plata na Argentina e no Uruguai, você pode encontrar o camarada de hoje. Cientificamente conhecido como Discocyrtus prospicuus, é um opilião, um membro de um grupo de aracnídeos que lembram aranhas. Como de costume entre pequenos invertebrados escondidos, ele não possui um nome comum, de forma que cunhei o termo opilião-de-escudo-platense para me referir a ele.

Discocyrtus prospicuus em Buenos Aires, Argentina. Foto de Nicolas Olejnik.*

O opilião-de-escudo-platense pertence à família Gonyleptidae, que inclui opiliões com corpos impressionantemente armados e um prossoma (ou cefalotórax) com um formato triangular que lembra algum tipo de escudo. Ele possui uma cor marrom-avermelhada escura e duas poderosas patas traseiras armadas com vários espinhos.

O opilião-de-escudo-platense é encontrado em várias localidades da Argentina e do Uruguai, mas especialmente em áreas de floresta em torno do Rio La Plata e seus afluentes. Como de costume entre opiliões gonileptídeos, o opilião-de-escudo-platense depende de ambientes com um grau considerável de umidade.

Diferente da maioria dos aracnídeos, os opiliões geralmente são necrófagos onívoros, alimentando-se de matéria vegetal e animal morta, e o opilião-de-escudo-platense não é diferente. Em relações predador-presa, eles geralmente são a presa de outros animais, especialmente aranhas, como as aranhas-lobo que compartilham o mesmo hábitat. Quando está de frente para uma grande aranha que está prestes a caçá-lo, o opilião-de-escudo-platense pode usar uma série de mecanismos de defesa. Uma das formas mais simples de evitar ser comido é ficar imóvel ou se fingir de morto, um comportamento chamado tanatose. Quando está de frente para um opilião aparentemente morto, uma aranha-lobo geralmente o ignora completamente, como se ele nem mesmo estivesse lá. Quando isso não é suficiente para parar o ataque, o opilião pode usar estratégias adicionais como “mostrar a bunda” para a aranha ao levantar o abdome em direção ao predador e às vezes chutando a aranha com as patas traseiras. Outro mecanismo de defesa comum em opiliões é liberar compostos químicos com um odor forte e repulsivo, mas o opilião-de-escudo-platense não parece usá-lo frequentemente, ao menos não contra aranhas.

Pouco se sabe sobre a história natural do opilião-de-escudo-platense ou qualquer de seus parentes próximos. Como eu disse várias vezes antes, precisamos de mais pessoas estudando as pequenas criaturas que vivem ao nosso redor.

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Referências:

Costa LE, Guerrero EL (2011) Geographical distribution of Discocyrtus prospicuus (Arachnida: Opiliones: Gonyleptidae): Is there a pattern? Zootaxa 2043: 1–24.

Fernandes NS, Stanley E, Costa FG, Toscano-Gadea CA, Willemart RH (2017) Chemical sex recognition in the harvestman Discocyrtus prospicuus (Arachnida: Opiliones). Acta Ethologica 20(3): 215–221. doi: 10.1007/s10211-017-0264-5

Segalerba A, Toscano-Gadea CA (2016) Description of the Defensive Behaviour of Four Neotropical Harvestmen (Laniatores: Gonyleptidae) Against a Synchronic and Sympatric Wolf Spider (Araneae: Lycosidae). Arachnology 17(1): 52–58. doi:10.13156/arac.2006.17.1.52

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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