Sexta Selvagem: Bactéria-da-Raiz-do-Amieiro

por Piter Kehoma Boll

O sucesso de muitas espécies de plantas é resultado de sua associação com diferentes organismos em seus sistemas de raízes, como fungos e bactérias. Entre as bactérias, as mais amplamente conhecidas por sua associação com raízes são os chamados rizóbios, bactérias que são associadas com a raiz de leguminosas (plantas da família Fabaceae).

Contudo este tipo de associação evoluiu independentemente muitas vezes em muitas linhagens de plantas e muitas linhagens de bactérias. Hoje apresentarei a vocês uma bactéria que não é proximamente relacionada aos rizóbios, mas age similarmente. Cientificamente conhecida como Frankia alni, ela não possui um nome comum, mas decidi chamá-la de bactéria-da-raiz-do-amieiro.

Como tanto o nome científico quanto o nome comum que acabei de inventar sugerem, a bactéria-da-raiz-do-amieiro é uma espécie associada com as raízes de árvores no gênero Alnus, comumente conhecidas como amieiro em português. Ela pertence ao filo Actinobacteria e à ordem Actinomycetales, tendo um crescimento filamentoso que produz uma estrutura similar ao micélio dos fungos.

As hifas que formam o micélio de Frankia alni. Foto do usuário Kkucho do Wikimedia.**

As bactérias não penetram as membranas celulares da planta hospedeira de cara, mas ficam dentro de estruturas que se desenvolvem a partir da parede celular da planta. De lá, elas estimulam a divisão celular e a produção de nódulos que crescem da raiz e para dentro das quais elas migram, entrando nas células dos nódulos.

Um nódulo causado por Frankia alni na raiz de um amieiro. Foto de Gerhard Schuster.**

Através de um processo bioquímico complexo que não vou apresentar aqui em detalhes, as bactérias-da-raiz-do-amieiro conseguem capturar nitrogênio da atmosfera e sintetizar aminoácidos a partir dele, parte dos quais é compartilhada com a planta hospedeira. Como resultado, amieiros que contêm nódulos de bactérias-da-raiz-do-amieiro conseguem crescer em solos pobres em nitrogênio e eventualmente enriquecem o solo, permitindo que outras plantas se estabeleçam.

Esporângios de Frankia alni. Foto do usuário Kkucho do Wikimedia.**

De forma a se dispersarem pelo ambiente e encontrarem novos hospedeiros, as bactérias-da-raiz-do-amieiro produzem esporos dentro de esporângios. Quando liberados, estes podem migrar, provavelmente pela água, até novos locais onde germinam e recomeçam o ciclo.

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Referências:

Benson, D. R.; Silvester, W. B. (1993) Biology of Frankia strains, actinomycete symbionts of actinorhizal plantsMicrobiology and Molecular Biology Reviews 57(2): 293–319.

Wikipedia. Frankia alni. Available at: < https://en.wikipedia.org/wiki/Frankia_alni >. Access on March 13, 2018.

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**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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