Sexta Selvagem: Toxo

por Piter Kehoma Boll

Se eu tivesse que apostar em um parasita que você que está lendo isso provavelmente tem no corpo, eu apostaria no camarada da Sexta Selvagem de hoje, o protista Toxoplasma gondii, às vezes chamado simplesmente de toxo.

Encontrado no mundo inteiro, o toxo é um dos parasitas humanos mais comuns, com estimativas de que metade da população mundial esteja infectada. Felizmente, essa criatura geralmente ocorre em uma forma latente e não oferece grandes ricos, mas eventualmente ela pode se desenvolver em uma condição mais séria chamada toxoplasmose, especialmente em pessoas com imunidade fraca.

Mas vamos dar uma olhada mais de perto nesse camaradinha.

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Oocistos de Toxplasma gondii. Essa é a forma encontrada no ambiente e que pode começar uma infecção no seu corpo.

O toxo é um protista que pertence ao filo Apicomplexa, o grupo de alveolados parasitas que também inclui o agente que causa a malária. Apesar de ser tradicionalmente considerado um protozoário, os apicomplexos são proximamente relacionados a dinoflagelados (que são geralmente considerados um grupo de algas). Eles possuem uma organela peculiar chamada apicoplasto que eles usam para penetrar a célula do hospedeiro. O apicoplasto é derivado de um plastídeo (tal como o cloroplasto), de forma que podemos dizer que apicomplexos são algas que evoluíram para parasitas intracelulares!

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Taquizoítos de Toxoplasma gondii corados com Giesma, vindos do fluido peritonial de um camundongo.

O ciclo de vida do toxo é um tanto complexo. Vamos começar com sua forma inativa chamada oocisto, o qual pode ser encontrado no ambiente. Se um animal de sangue quente ingerir um oocisto, ele vai “estourar” dentro do intestino do animal e liberar várias formas “rápidas” chamadas taquizoítos. Os taquizoítos invadem quase qualquer célula do corpo e se multiplicam assexuadamente dentro dela até que a célula morra e os liberte, permitindo que infectem mais e mais células. Quando invadem o encéfalo, o fígado e os músculos, os taquizoítos geralmente se diferenciam em cistos que se tornam inativos. Neste estágio, a única coisa que o toxo quer é que um gato (qualquer espécie da família Felidae) coma o hospedeiro. Ele pode até mesmo alterar o comportamento do hospedeiro para que ele se torne mais ousado e mais acessível a predadores.

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Um cisto de Toxoplasma gondii que se forma nos músculos, no encéfalo e no fígado de qualquer animal de sangue quente. Tudo o que o cisto quer é ser comido por um gato!

Agora imaginemos que um gato tenha comido o hospedeiro (que provavelmente era uma ave ou um roedor). Dentro do intestino do gato, o cisto estoura e libera várias formas “lentas” chamadas bradizoítos. Essa forma invade as células epiteliais do intestino do gato e se multiplica assexuadamente dentro dela. Eventualmente, os bradizoítos se diferenciam em taquizoítos ou gametócitos (células parecidas com espermatozoides e óvulos). Quando dois gametócitos se fundem, eles formam um zigoto que matura em um oocisto que é liberado no ambiente, recomeçando o ciclo.

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O complexo ciclo de vida do Toxoplasma gondii. Créditos a Mariana Ruiz Vilarreal.

Como sempre, a vida de parasitas é uma aventura maravilhosa!

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Referências:

Tenter, A., Heckeroth, A., & Weiss, L. (2000). Toxoplasma gondii: from animals to humans International Journal for Parasitology, 30 (12-13), 1217-1258 DOI: 10.1016/S0020-7519(00)00124-7

Wikipedia. Toxoplasma gondii. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Toxoplasma_gondii&gt;. Access on March 6, 2017.

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Arquivado em Doenças, protistas, Sexta Selvagem

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