Sexta Selvagem: B. coli

por Piter Kehoma Boll

É hora de dar mais espaço para parasitas, incluindo parasitas humanos! Então hoje nosso camarada vem direto das fezes de muitos mamíferos, incluindo humanos. Seu nome é Balantidium coli, ou B. coli para abreviar.

B. coli é um ciliado, isto é, um membro do filo Ciliophora, um grupo de protistas que possui suas células cobertas por cílios, que não são nada mais que flagelos muito curtos e numerosos. A maioria dos ciliados são organismos de vida livre, e de fato B. coli é o único ciliado conhecido que é danoso a humanos, mas não somente a humanos. Muitos outros mamíferos também hospedam esse carinha, especialmente porcos.

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O macronúcleo vermelho e alongado de B. coli faz com que ele pareça um cara mau, não acha? Foto extraída de http://www.southampton.ac.uk/~ceb/Diagnosis/Vol2.htm

O habitat típico do B. coli é o intestino grosso de mamíferos. O protista vive lá em uma fase ativa chamada trofozoíto (visto na imagem acima) e se alimenta de bactérias que vivem naturalmente no intestino. Quando em ambientes desidratados, o que acontece na porção final do intestino ou depois que o organismo é liberado com as fezes, o B. coli muda para uma fase inativa chamada cisto, que é menor que o trofozoíto e coberto por uma parede espessa. Os cistos são liberados no ambiente e podem ser ingeridos por um novo hospedeiro e atingir o intestino, onde retornarão à forma de trofozoíto.

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Um cisto de B. coli. Foto extraída de http://www.southampton.ac.uk/~ceb/Diagnosis/Vol2.htm

Sintomas da infecção por B. coli, também conhecida como balantidíase, incluem diarreia explosiva a cada 20 minutos e, em infecções agudas, pode causar perfuração do cólon e se tornar uma condição que oferece risco de vida.

Felizmente, infecções em humanos não são tão comuns. O país mais afetado hoje em dia são as Filipinas, mas você pode se infectar em qualquer lugar. A melhor maneira de reduzir os riscos de infecção é tendo boas condições sanitárias e higiene pessoal. Contudo, como porcos são o vetor mais comum da doença, ela continuará existindo enquanto humanos criarem porcos.

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Referências:

Schuster, F., & Ramirez-Avila, L. (2008). Current World Status of Balantidium coli Clinical Microbiology Reviews, 21 (4), 626-638 DOI: 10.1128/CMR.00021-08

Wikipedia. Balantidium coli. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Balantidium_coli&gt;. Access on February 23, 2017.

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