Sexta Selvagem: Tocandira

por Piter Kehoma Boll

As florestas tropicais das Américas Central e do Sul abrigam essa pequena, porém assustadora, criatura, a tocandira Paraponera clavata. Temida por pessoas vivendo onde é encontrada, a tocandira é uma das mais venenosas formigas do mundo. O nome “tocandira” é derivado do Tupi e significa “dói muito”, fazendo uma referência à terrível dor da picada. Em inglês ela é chamada de “bullet ant”, fazendo referência à dor causada por um tiro, a qual se diz ser a mais próxima analogia para a dor de uma picada de tocandira. Em espanhol ela é às vezes chamada de “hormiga 24 horas” porque a dor é dita durar um dia inteiro.

Uma tocandira operária. Foto de Geoff Gallice.*

Uma tocandira operária. Foto de Geoff Gallice.*

A tocandira é encontrada na região Neotropical de Honduras e Nicarágua até o Paraguai. Seus ninhos são construídos na base de árvores, sob o solo, e as operárias procuram por alimento principalmente no tronco e na copa da árvore diretamente acima do ninho e em árvores próximas, às vezes explorando o solo. Elas são formigas predadoras, alimentando-se principalmente de artrópodes, mas também consumindo néctar.

Considerada uma formiga primitiva, a tocandira não possui polimorfismo em sua casta operária, isto é, todas as operárias possuem a mesma aparência geral. A rainha também não é muito diferente das operárias.

A horrível picada infligida por essas formigas é usada como forma de defesa. Ela contém uma neurotoxina conhecida como poneratoxina que causa paralisia ao bloquear a transmissão sináptica. Ela é efetiva pelo menos contra vertebrados e artrópodes. Apesar disso, o povo Sateré-Mawé do Brasil usa as picadas da formiga em um ritual sádico para se tornar um “guerreiro”. Para isso, um pobre menino precisa pôr sua mão dentro de uma luva preenchida de tocandiras e deixá-la lá por dez minutos. Como resultado o braço do menino se torna paralisado por dias e ele pode convulsionar incontrolavelmente devido ao efeito do veneno. E ele precisa repetir esse ritual 20 vezes!

Só consigo pensar que humanos… ah, deixa pra lá.

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Referências:

Piek, T.; Duval, A.; Hue, B.; Karst, H.; Lapied, B.; Mantel, P.; Nakajima, T.; Pelhate, M.; Schmidt, J. O. 1991. Poneratoxin, a novel peptide neurotoxin from the venom of the ant, Paraponera clavata. Comparative Biochemistry and Physiology Part C: Comparative Pharmacology, 99 (3): 487–495.

Wikipedia. Paraponera clavata. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Paraponera_clavata >. Acesso em 25 de maio de 2016.

Young, A. M.; Herrmann, H. R. 1980. Notes on foraging of the Giant Tropical Ant Paraponera clavata (Hymenoptera: Formicidae: Ponerinae). Journal of the Kansas Entomological Society, 53 (1): 35–55.

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*Creative Commons License
Esta imagem está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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