Sexta Selvagem: Besouro-guitarrista

por Piter Kehoma Boll

Besouros são o grupo mais rico em espécies em nosso planeta, então está na hora de a Sexta Selvagem trazer um representante deles. Eu escolhi minha espécie favorita, o besouro-viola ou besouro-guitarrista Compsocerus violaceus (White, 1853).

Não é uma criatura linda? Foto de Silvio Tanaka.*

Não é uma criatura linda? Foto de Silvio Tanaka.*

Com um belo par de élitros azul-metálicos e um corpo laranja com longas antenas portando um tufo preto, esta espécie é muito carismática e aparece durante a primavera e o verão aqui no sul do Brasil, sendo geralmente vista em árvores, especialmente de novembro a janeiro. Quando agarrado ou mantido dentro de uma mão fechada, ele costuma emitir um som como guinchos curtos consecutivos, motivo pelo qual recebe o nome de besouro-guitarrista.

Apesar de sua fofura, no entanto, ele é considerado uma praga agrícola, atacando árvores de diferentes espécies, incluindo acácias, eucaliptos, salgueiros, figueiras, árvores cítricas e pereiras.

Os adultos se alimentam de frutas e seiva correndo de troncos machucados, enquanto as larvas se alimentam da madeira em si, construindo galerias nela.

Quando prontas para a postura, as fêmeas caminham sobre os ramos procurando por rachaduras na casca para pôr os povos, às vezes fazendo vários cortes transversal pequenos para o mesmo propósito. Elas costumam pôr os ovos na mesma árvore em que eclodiram. Os ovos são postos isoladamente, mas muitos podem ser deixados no mesmo galho. Cada fêmea põe cerca de 60 a 130 ovos.

A medida que as larvas crescem e aumentam sua galeria dentro da madeira, o ramo passa a apresentar alterações em seu aspecto, com a casca de tornando mais escura e as folhas mais amarelas.

Em casos onde há larvas demais em um galho, ele geralmente morre e pode até mesmo quebrar devido ao dano causado.

Quem é o responsável por tornar essa espécie adorável uma praga? Nós, humanos, é claro. Como plantamos centenas de árvores juntas em grandes pomares, nós estamos meio que anunciando “toneladas de comida aqui”. E quando eles vêm, nós jogamos a culpa neles.

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Referências:

Garcia, H. A. 1994. Ocorrência e danos de Compsocerus violaceus (White, 1853) (Coleoptera, Cerambycidae) em pomar de citros. Anais das Escolas de Agronomia e Veterinária, 24 (1), 148-153

Garcia, A. H., & Cunha, M. G. 1994. Comportamento da população de Compsocerus violaceus (White, 1853) (Coleoptera, Cerambycidae) em relação a fauna de cerambicídeos coletados em pomares de citros. Anais das Escolas de Agronomia e Veterinária, 24 (1), 154-163

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*Creative Commons License
Esta imagem está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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