Sexta Selvagem: Verme-tubo-gigante

por Piter Kehoma Boll

Vamos mergulhar fundo no oceano e falar desse animal incrível, o verme-tubo-gigante Riftia pachyptila. Inicialmente classificado em um filo separado, Vestimentifera, hoje ele é incluindo em uma família de anelídeos chamada Sibloginidae. Seu nome comum vem do fato de que ele pode atingir um comprimento de 2.4 metros, sendo um verme bem grande.

Vermes-tubo-gigantes Riftia pachyptila. Foto extraída de planeterde.de

Vermes-tubo-gigantes Riftia pachyptila. Foto extraída de planeterde.de

Endêmico das áreas hidrotermais do mar profundo no Oceano Pacífico, estes vermes são adaptados a tolerar as altas temperatura e pressão, além dos altos níveis de sulfeto de hidrogênio, em seu ambiente. Com o corpo protegido por um tubo de quitina que pode atingir 3 metros de comprimento, a única parte exposta é uma estrutura vermelha, a pluma branquial, altamemte vascularizada e rica em um completo de hemoglobina de massa molecular elevada.

Abaixo das plumas se encontra o vestimento, uma região muscular que abriga o cérebro e o coração e é responsável pela extensão e o recolhimento da pluma. O nome do antigo filo compreendendo esta espécie, Vestimentifera, se refere a essa estrutura.

Após o vestimento está o tronco e após este o opistossoma, o qual ancora o animal ao tubo.

A pluma é usada para transportar oxigênio, dióxido de carbono e sulfetos para dentro do corpo do animal, o qual, no entanto, não possui boca nem intestino.

Um verme fora do tubo. Foto extraída de spineless.ucsd.edu

Um verme fora do tubo. Foto extraída de spineless.ucsd.edu

Para adquirir nutrientes, o verme-tubo-gigante hospeda uma gama-proteobactéria quimiolitoautotrófica endossimbionte dentro do trofossoma, uma órgão ricamente vascularizado no tronco que constitui uma adaptação morfológica específica para abrigar as bactérias simbiontes. Os sulfetos são transportados pelo verme do ambiente para os simbiontes, os quais possuem um sistema respiratório oxidador de enxofre e assim podem produzir energia metabólica para eles mesmos e para o verme.

A associação entre o verme-tubo-gigante e suas bactérias quimioautotróficas foi a primeira desse tipo descoberta mais de 30 anos atrás por Cavanaugh et al. e é atualmente o melhor estudado, mas muitas questões sobre detalhes desta relação, incluindo a aquisição das bactérias por vermes jovens, ainda precisam ser respondidas.

Como o verme não possui um sistema digestivo, sua nutrição depende inteiramente de suas bactérias simbiontes e todas as adaptações anatômicas designadas para permitir esta associação fazem este um exemplo muito bom de coevolução e nos faz pensar que não há limites para a vida se adaptar.

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Referências:

Lopez-Garcia, P., Gaill, F., & Moreira, D. (2002). Wide bacterial diversity associated with tubes of the vent worm Riftia pachyptila. Environmental Microbiology, 4 (4), 204-215 DOI: 10.1046/j.1462-2920.2002.00286.x

Minic, Z., & Hervé, G. 2004. Biochemical and enzymological aspects of the symbiosis between the deep-sea tubeworm Riftia pachyptila and its bacterial endosymbiont. European Journal of Biochemistry, 271 (15), 3093-3102 DOI: 10.1111/j.1432-1033.2004.04248.x

Stewart FJ, & Cavanaugh CM 2006. Symbiosis of thioautotrophic bacteria with Riftia pachyptila. Progress in molecular and subcellular biology, 41, 197-225 PMID: 16623395

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