Sexta Selvagem: Barata-americana

por Piter Kehoma Boll

Celebrando o fim do mundo, não haveria criatura mais adequada para ser apresentada no SS que a barata-americana, Periplaneta americana, tão famosa como um sobrevivente provável (ou possível) após um cataclismo global e, é claro, como uma das pragas domésticas mais conspícuas.

Apesar do seu nome, esta espécie não é nativa dos Estados Unidos ou de qualquer país das Américas, mas foi introduzida da África e atualmente é comum no mundo todo, especialmente em climas tropicais. Ela prefere lugares escuros e úmidos, como canos, esgotos, porões etc. Apesar de serem mais comuns em restaurantes, mercados, padarias, elas podem às vezes ser encontradas dentro de residências, geralmente vindo do esgoto pelo encanamento à noite.

Barata-americana (Periplaneta americana). Foto do usuário Termiteman da Wikimedia. Extraida de commons.wikimedia.org

Barata-americana (Periplaneta americana). Foto do usuário Termiteman da Wikimedia. Extraida de commons.wikimedia.org

O que a faz tão fácil de se adaptar a muitos ambientes é sua dieta generalista e oportunista. Baratas-americanas podem se alimentar de quase qualquer coisa, de todos os tipos de comida humana até papel, cabelo, tecido e até mesmo sapatos.

Visto que esta espécie se move de locais onde resíduos humanos são depositados para áreas que guardam alimentos, ela pode se tornar um problema de saúde pública, espalhando mais de 20 espécies de organismos patogênicos, incluindo bactérias, vírus, fungos, protozoários e vermes. Contudo, de outra perspectiva, seu papel ecológico como detritívoro pode estar ajudando esgotos humanos e outros meios de condução de resíduos a permanecerem funcionais ao consumir detritos e prevenir que eles fiquem obstruídos.

Diversos métodos são conhecidos para reduzir infestações por baratas, incluindo inseticidas ou controle biológico através de vespas parasitoides que põem ovos dentro das ootecas (os casulos de ovos) das baratas. A redução de áreas com umidade dentro e ao redor de prédios também pode prevenir infestações ao remover locais que são atrativos para estas pragas.

Há muitas divergências a respeito da longevidade das baratas-americanas, mas parece que elas podem viver mais de mil dias desde a eclosão e podem sobreviver mais de um mês sem água e comida.

Considerando tais aspectos, é lógico assumir que a barata-americana facilmente sobreviveria a uma catástrofe mundial e continuaria muito bem, talvez até tirando vantagem do súbito aumento de alimento disponível a partir dos cadáveres por todos os lados.

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Referências:

Barbara, K. A. 2011. American Cockroach, Periplaneta americana (Linnaeus) (Insecta: Blattodea: Blattidae). University of Florida, IFAS Extension, 5 p.

Jones, S. C. 2008. American Cockroach. The Ohio State University, 3 p.

Vianna, E. E. S.; Berne, M. E. A. & Ribeiro, P. B. 2001. Desenvolvimento e longevidade de Periplaneta americana Linneu, 1758 (Blattodea: Blattidae). Revista Brasileira de Agrociências, 7 (2), 111-115

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