O que é uma espécie 2: Conceitos verticais de espécie

por Piter Kehoma Boll

Olá, pessoal!

Eu finalmente decidi continuar e escrever a segunda parte do meu artigo sobre conceitos de espécies. Vocês podem ver a primeira parte aqui, onde falei sobre conceitos horizontais de espécie. Hoje vou falar sobre outra perspectiva, os conceitos verticais de espécies, isto é, como espécies acontecem através do tempo.

Conceitos verticais dificilmente são usados para realmente definir uma espécie, visto que eles não representam a situação atual de seres vivos e é difícil saber a real história de uma população para determinar seu status através de toda a sua existência. Contudo estes conceitos são úteis em reconstruções filogenéticas e para entender como novas espécies surgem de outras ao longo do tempo.

Bem, vamos ver os dois principais conceitos verticais de espécie.

1. Conceito cladístico de espécie

Proposto por Ridley em 1989, ele define uma espécie como um conjunto de organismos entre dois eventos de especiação, ou entre um evento de especiação e um evento de extinção. De acordo com isso, uma espécie começa a existir quando uma linhagem de organismos é dividida em duas. Não há espécies parafiléticas neste conceito, já que quando ocorre um evento de especiação, a espécie ancestral se torna extinta, dando origem a duas novas espécies.

Conceito cladístico: toda vez que ocorre um evento de especiação, duas novas espécies são criadas e a ancestral se torna extinta.

Conceito cladístico: toda vez que ocorre um evento de especiação, duas novas espécies são criadas e a ancestral se torna extinta.

2. Conceito evolutivo de espécie

Uma espécie evolutiva é definida como um conjunto de organismos de uma única linhagem que possui suas próprias tendências evolutivas e seu próprio destino histórico. Diferentemente da espécie cladística, a espécie evolutiva não se torna necessariamente extinta quando outra linhagem de separa dela, assim permitindo que seja parafilética, ou seja, se uma população é dividida em duas, aquela que continua a ter as mesmas características gerais e o mesmo caminho evolutivo é considerada a mesma espécie que a ancestral.

Conceito evolutivo: uma espécie não se torna necessariamente extinta durante um evento de especiação.. A espécie 1 (species 1) se torna parafilética depois de se separar da espécie 2 (species 2).

Conceito evolutivo: uma espécie não se torna necessariamente extinta durante um evento de especiação.. A espécie 1 (species 1) se torna parafilética depois de se separar da espécie 2 (species 2).

Como não há registro da história evolutiva de organismos, não há como determiná-la para nenhuma espécie. Algumas ideias podem ser propostas e altamente sustentadas por análises genéticas, mas nunca podemos ter certeza de como as coisas realmente aconteceram, de forma que conceitos verticais não podem ser aplicados na prática e são mais úteis para inferir relações genéticas entre diferentes populações e assim guiar o manejo adequado destas em esforços de conservação.

Outro ponto interessante é que de acordo com conceitos verticais, dois organismos são considerados espécies diferentes assim que se separam em linhagem diferentes, em populações diferentes que não vão mais entrar em contato, de forma que mesmo dois primos seriam espécies diferentes, mesmo que geneticamente, morfologicamente e ecologicamente muito similares.

Assim, conceitos verticais são mais úteis para determinar a filogenia e auxiliar na genética de populações, mas não para realmente definir espécies em qualquer ecossistema, visto que nestes casos a situação é caracterizada pelo status presente de organismos e assim melhor sustentada por abordagens horizontais.

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Referências:

Mayden, R. L. 1997. A hierarchy of species concepts: the denoument in the saga of the species problem, in M. F. Claridge, H. A. Dawah and M. R. Wilson (eds.), Species: The units of diversity, London: Chapman and Hall, 381-423

Ridley, M. 2004. Evolution. Blackwell Publishing. ISBN 1-4051-0345-0.

Stamos, D. N. 2002. Species, languages, and the horizontal/vertical distinction. Biology and Phylosophy, 17, 171-198

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Arquivado em Ecologia, Evolução, Sistemática, Taxonomia

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